268 Dicionário Quem é Quem na Museologia Portuguesa SANTOS, Joaquim José Júdice dos SANTOS, Joaquim José Júdice dos Mexilhoeira da Carregação [Lagoa], 1821 – Mexilhoeira da Carregação [Lagoa], 1907 Nascido a 9 de outubro de 1821, na Mexilhoei- ra da Carregação (Vasconcelos, 1908, 37), no Algarve, Joaquim José Júdice dos Santos foi um colecionador particular de arqueologia e numismática. As suas coleções estiveram repre- sentadas, durante o século XIX, no Gabinete de Antiguidades da Biblioteca Nacional de Lisboa, no Museu Archeologico do Algarve e na Esco- la Politécnica de Lisboa. Atualmente podemos conhecer uma parte da sua coleção arqueológica através do Museu Nacional de Arqueologia, onde foram incorporados numerosos objectos que lhe pertenceram (Pereira, 2017). Joaquim José Júdice dos Santos facultava a visita às suas coleções e o estudo dos objetos que possuía a outros colecionadores e interessados, autorizava a realização de réplicas, a divulgação de imagens em publicações científicas e cedia os objetos para exposições públicas. No Gabinete de Antiguidades da Biblioteca Nacional, por exem- plo, esteve em exposição um colar cuja fotogra- fia de época, preservada atualmente pelo Museu Nacional de Arqueologia (MNA, 2011.31.1), foi registada com a seguinte anotação: “Estombar e Silves: Pertence ao Ex.º Sr. J. J. Júdice dos Santos, que o depositou neste Museu/ da Bibl. Na.”. Este colar foi inicialmente divulgado na obra Antigui- dades Monumentais do Algarve (Veiga, 1891, 259) e posteriormente transferido da Biblioteca Nacio- nal para o Museu Nacional de Arqueologia (MNA). Pelo facto de possuir uma grande quantida- de de objetos arqueológicos provenientes da região algarvia, Joaquim José Júdice dos Santos foi convidado a participar no projeto do Museu Archeologico do Algarve, inaugurado em 26 de setembro de 1880, nas instalações da Acade- mia Real de Belas Artes de Lisboa. A cooperação de Júdice dos Santos com este museu, dirigido por Estácio da Veiga, significou um assinalável aumento de objetos representados neste projeto museológico, bem como de lugares assinalados na Carta Archeologica do Algarve (Veiga, 1883), um inovador documento representativo dos sítios e achados arqueológicos na região. Durante os 11 meses em que o Museu Archeo- logico do Algarve esteve aberto ao público, Júdi- ce dos Santos reforçou a representatividade da sua coleção mas, perante o desmantelamento e transferência deste museu para as arrecadações da Academia Real de Belas Artes de Lisboa, em agosto de 1881, o colecionador fez substituir os seus objetos por réplicas em gesso (Veiga, 1886, XII; 1887, 358), transferindo os originais para a Escola Politécnica de Lisboa, onde já se representava a sua coleção através de um objeto designado como “calhau de xisto negro elipsoi- dal e polido” encontrado em Pegos Verdes (Veiga 1887, 331). Foi Estácio da Veiga que efetuou essa trans- ferência no dia 13 de setembro de 1881, um ato que suscitou a produção do documento intitulado Relação dos objectos antigos que o Ex. mo Sr. Joaquim José Júdice dos Santos tinha depositado no Museu Archeologico do Algarve e que nesta data, por sua ordem, são entregues no Museu da Escola Polytechni- ca de Lisboa ao Ill. mo e Ex. mo Sr. Conselheiro Doutor F. A. Pereira da Costa, por Sebastião Philippes Martins Estácio da Veiga (Arquivo Histórico MUNHAC). Em 1884 Júdice dos Santos foi convidado a participar num novo museu projetado por Está- cio da Veiga. No âmbito da criação do Instituto Archeologico do Algarve, oficialmente fundado em Faro, no dia 25 de outubro de 1882 (Cardoso, 2007, 359), idealizava-se a criação de um museu no Seminário Episcopal de Faro. Para a sua insti- S