187 Notas sobre fnanças derivativas e o fazer dividual da liquidez 12 Erik Bordeleau 3 1. Derivativas e dividuais Em The power at the end of the economy (2015), Brian Massumi sugere que uma força contrapolítica deve se envolver diretamente com o neoliberalismo em seu próprio terreno, isto é, no nível infraindividual em que o preparo pré-refexivo opera. Massumi escreve, “quando falamos de uma política do afeto, ou uma política do dividualismo contra o individualismo neoliberal, estamos falando de manter o acontecimento na chave do potencial, na me- dida do possível” (2015, p. 76). Esta política afetiva e meteorológica do dividual difere das abordagens políticas “puras”, baseadas na fantasia protetora de uma subjetivação po- lítica fundada em uma consciência clara e distinta. Massumi propõe mer- gulhar na intimidade perceptiva ou derivativa da subjetividade neoliberal disjuntiva a fm de discernir um plano de vitalidade transindividual que poderia escapar de sua contenção, captura e controle no gás do regime em- presarial super-individualizado. Mas o que é um dividual? E de que maneira este é conducente de qualquer política emancipatória? À primeira vista, a erosão do indivíduo e a ascensão do divídual são, em grande medida, um efeito do funcionamento do capita- lismo fnanceiro desde o início dos anos 1970. Sob uma governamentalidade fnanceira e algorítmica, cada um de nós deve ser concebido como um pacote de dividuais - conjuntos de porções sendo vendidos por e para grandes volu- mes de dados. No presciente Post-scriptum sobre as sociedades de controle, escrito em 1992, Deleuze escreve: 1 Este texto é uma versão ligeiramente ampliada e modifcada da versão que foi apresentada durante o VII Seminário Conexões. Muito obrigado a Susana Oliveira Dias e Sebastian Wiedemann por fazer este evento possível. 2 Tradução de Sebastian Wiedemann 3 Pesquisador no SenseLab. Colaborador da Economic Space Agency. E-mail: erik.bordeleau@gmail.com.