A REPRESENTATIVIDADE FEMININA NO ROMANCE O CASTIGO DA PROSTITUIÇÃO, PUBLICADO PELA IMPRESSÃO RÉGIA DO RIO DE JANEIRO (1808-1821) Anelise Martinelli Borges OLIVEIRA Universidade Estadual Paulista – Campus Marília-SP anelisemartinelli@hotmail.com Resumo: A institucionalização da Impressão Régia do Rio de Janeiro em 1808, mesmo ano da vinda de D. João VI para o Brasil, constituiu-se de uma importante ferramenta no desenvolvimento das práticas de leitura na sociedade abastada, uma vez que foi responsável por publicar livros dos mais variados gêneros, como, os de literatura romanesca. Durante os treze anos que o regente português esteve no Rio de Janeiro – cidade que se tornara a nova sede da monarquia portuguesa – a Impressão Régia do Rio de Janeiro publicou um total de nove romances, a maioria deles traduzidos do francês. Tendo como característica a prescrição de condutas, grande parte dos romances era direcionada ao gênero feminino, sobretudo, à mulher da camada dirigente, a qual deveria se desviar de comportamentos que não eram compatíveis à sua estratificação social, e, consequentemente à sua moral. Dentre esses romances, encontra-se O castigo da prostituição (1815), livro que compõe o corpus deste trabalho. Com base no exposto, o presente trabalho objetiva analisar a representatividade feminina inserida no romance O castigo da prostituição, a qual era pautada na legitimidade da virgindade enquanto uma virtude que deveria ser preservada. No que concerne ao referencial teórico-metodológico, este trabalho está fundamentado no estudo de autores que abordam a questão do romance enquanto gênero literário, como George Lukács (2000), Walter Benjamin (1994), Mikhail Bakhtin (1997); além, de um autor específico que aborda o conceito de representação e a forma como as sociedades se apropriam de práticas de leitura – Roger Chartier (2009; 1990). Os resultados desta pesquisa incidem para o fato de que a representatividade feminina contida no romance “O castigo da prostituição” está diretamente relacionada com a prescrição de atitudes consideradas “morais”. O não-cumprimento dessas atitudes vem acompanhado de punições e arrependimentos. Palavras-chave: Representação; Romance; O castigo da prostituição. 1. Introdução Este trabalho tem por objetivo analisar a representatividade feminina inserida no romance O castigo da prostituição, publicado pela Impressão Régia do Rio de Janeiro em 1815 1 . Esse romance, juntamente com outros oito, constitui-se dos primeiros livros de gênero literário publicados oficialmente no Brasil durante os treze anos (1808-1821) em que D. João VI e a Corte Portuguesa estiveram no País. 1 O presente trabalho vincula-se ao Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Linguagem, Ensino e Narrativa de Professores – GEPLENP, liderado pelos professores doutores Raquel Lazzari Leite Barbosa e Sergio Fabiano Annibal. O GEPLENP é certificado pelo CNPq e sediado na Universidade Estadual Paulista, Campus Assis-SP. Este trabalho também está relacionado à minha dissertação de mestrado intitulada A arte dos bons costumes na corte brasileira (1808-1821), defendida no ano de 2009, pela Universidade Estadual Paulista (Campus Franca- SP), e teve como orientador o Professor Dr. Jurandir Malerba. Anais do SILEL. Volume 3, Número 1. Uberlândia: EDUFU, 2013.