Euro-: um novo prefixo do português? Margarita Correia Trabalho realizado enquanto colaboradora do Centro Português de Terminologia Academia das Ciências de Lisboa Lisboa, Agosto de 1989 0.1. Motivação do presente artigo A "Europa" é hoje um tema quase obrigatório nos meios de comunicação social devido a factores políticos, sociológicos e económicos sobejamente conhecidos. Praticamente não se publica jornal ou revista, nem se produz emissão informativa de rádio ou televisão em Portugal, onde o tema da Europa não seja abordado, seja a "Europa das Comunidades", a "Europa Ocidental" ou ainda a "casa europeia" ou a "Europa até aos Urales". Deste modo, quase imperceptivelmente surgiu na língua portuguesa um formante morfossemântico novo, imediatamente entendido e difundido, dando origem a inúmeros neologismos contemporâneos. Falamos do formante euro-, que rapidamente se difundiu e entrou em registos de língua tão diversificados como o desportivo, o político, o económico e, por força das circunstâncias, a língua corrente. Quem não ouviu hoje falar em eurodeputados, eurodólares, cartão eurocheque, etc? Ao afirmarmos que este elemento é novo na língua, temos a consciência de fazer uma afirmação aparentemente falsa. No entanto, se considerarmos os dicionários como o repositório do léxico da língua, constatamos que nos vários dicionários utilizados (cf. Quadro 1 e Bibliografia), só muito recentemente passaram a surgir registadas lexias formadas com euro- e ainda em número bastante reduzido. Por outro lado, verificamos também que o formante euro- não aparece registado enquanto tal em nenhum dos di- cionários, o mesmo acontecendo com as gramáticas e outros trabalhos linguísticos por nós consultados. Este paradoxo despertou a nossa curiosidade e partimos à descoberta deste formante, tentando saber como funciona na língua portuguesa, quer do ponto de vista morfossintáctico, quer do ponto de vista semântico.