Apercep¸c˜ ao qualitativa de risco em casos pr´ aticos de investimento: em dire¸ ao ` a cultura do risco * Ademir L. Xavier Jr., Brazilian Space Agency, Bloco A, CEP 70610200, Bras´ ılia - DF (Dated: 17 de Agosto de 2019) Este trabalho tem como objetivo sugerir medidas bem definidas quantitativamente de deter- mina¸ ao de risco em situa¸ c˜oest´ ıpicas de investimentos a fim de aprimorar sua cultura de controle de risco. Para isso, aplicam-se medidas de probabilidade j´ a consolidadas estatisticamente, bem como diversos princ´ ıpios auxiliares, no tratamento de dois exemplos pr´ aticos de investimento com prazos de retorno muito diferentes entre si. No primeiro caso, calcula-se a probabilidade de encerramento e seu alvo em uma transa¸ ao de curto prazo de investidor que compra e vende a¸ oes com frequˆ encia na bolsa de valores. No segundo caso, faz-se a compara¸ c˜aodetrˆ es fundos de investimento sem prazo definido de encerramento e sua caracteriza¸ ao de risco frente a um conjunto de ´ ındices (tais como a infla¸ ao, o IBOVESPA e uma varia¸ ao de infla¸ ao). Tanto para um caso como para outro, verifica-se que as medidas de risco propostas subsidiam o investidor com informa¸ ao adicional relevante que permite a determina¸ ao das perdas esperadas, bem como o desempenho final de cada instrumento financeiro. O trabalho sugere que tais medidas devem ser mais sistematicamente empregadas, sem necessidade de valida¸ ao, como recursos adicionais de gest˜ ao de risco, considerando que todos os ingredientes de seu c´ alculo j´ a est˜ ao presentemente dispon´ ıveis. O uso sistem´ atico dessas medidas de chance ter´ a impacto positivo na percep¸ ao de risco do investidor porque facilita a escolha dos componentes de sua carteira e promove quantitativamente a cultura de controle de risco. Keywords: risco, volatilidade, bolsa de valores, fundos de investimento, risco de perda I. INTRODUC ¸ ˜ AO Sabe-se que a utiliza¸c˜ ao p´ ublica de m´ etodos de esti- mativa de probabilidades com s´ eries de pre¸ cos ´ e bem re- cente. De fato, modernamente, a pr´ opria disciplina da Estat´ ıstica ainda ´ e ensinada por meio de exemplos que quase nada tˆ em a ver com o comportamento anˆ omalo de s´ erie de pre¸ cos do mercado financeiro (GARFIELD, 1995; LOPES, 1998; DA SILVA, 2000). Entretanto, o uso sistem´ atico de m´ etodos modernos de estat´ ıstica para a categoriza¸ ao de ativos financeiros se relaciona de forma harmˆ onica com a importante quest˜ao de controle de risco no mercado (ALEXANDER, 2009; XAVIER, 2009; XA- VIER 2019), que tem seus princ´ ıpios pr´ opriosaplic´aveis a vasto conjunto de disciplinas. O uso de Estat´ ıstica em investimentos limitou-se no passado ` area acadˆ emica (SHARPE, 1964) por causa da dificuldade em se disponi- bilizar dados publicamente. Entretanto, isso se resolveu com a revolu¸ ao digital e surgimento da internet (FANG e ZANG, 2016), que possibilitou a dissemina¸c˜ ao de da- dos de forma maci¸ca e tempestiva. No caso de pre¸cos negociados em bolsa, isso criou a chance de se realizar uma ampla valida¸c˜ ao do comportamento de mercados fi- nanceiros ao redor do globo, refor¸cando a necessidade de uso de m´ etodos estat´ ısticos de determina¸ ao e avalia¸c˜ ao de risco, dada a intr´ ınseca aleatoriedade observada glo- balmente. Essas considera¸ oes mostram que no¸ oes de estat´ ıstica, aprendizado estat´ ıstico e investimento finan- ceiros poderiam ser melhor exploradas pela efetiva in- * Texto complementar `a obra XAVIER, 2019. ser¸c˜ ao de risco no aprendizado financeiro. A ideia ´ e que a pr´ opria atividade de investimento fosse mais explicita- mente caracterizada como um aprendizado de risco. Ainda que desprovidas de conhecimento estat´ ıstico ele- mentar, um contingente grande de pessoas f´ ısicas se apro- ximou dos mercados financeiros por meio plataformas de negocia¸ ao online (Home Brokers etc, SOUSA, 2008; AMORIN et al, 2011). Tais ferramentas representam uma importante inova¸ ao nas transa¸ oes de ativos fi- nanceiros de risco, em que pese as diferen¸ cas observa- das no Brasil em compara¸ ao aos mercados mais desen- volvidos (PAVANI, 2003, LI e SULLIVAN, 2011; MA- DEO et al, 2012). Tais diferen¸cas n˜ ao se relacionam apenas aos os custos envolvidos, mas tamb´ em com a pr´ opria disponibilidade de acesso aos dados. As plata- formas online de investimento em a¸c˜ oes, por exemplo, tamb´ em funcionam como ambientes de desenvolvimento de m´ etodos espec´ ıficos de negocia¸c˜ ao (DA SILVA, 2015; DE BRITO FERNANDES, 2019) que ocorrem a partir de uma dinˆ amica de tempo real (HFT ou High Frequency Trading ). Pode-se argumentar que o processo de investir em ativos de renda vari´ avel em tempo real ou quase real constitui importante ferramenta de educa¸c˜ ao financeira. Essa argumenta¸ ao se encontra velada na literatura que explora pequenos investidores (ELDER 1993; WEISS- MAN, 2005; LINCHEN e PERES, 2018) e a possibili- dade de se aproveitar oportunidades n˜ ao precificadas de forma sistem´ atica e consistente. Entretanto, o que est´a realmente em jogo ´ e a capacidade do investidor em fa- zer julgamentos quanto ` a oportunidade de investimento e limita¸ ao de sua exposi¸ ao ao risco. Tal capacidade apenas se torna mais decisiva quando investimentos de alta frequˆ encia est˜ao envolvidos (como ´ e o caso HFT),