Intercom Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação 41º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Joinville - SC – 2 a 8/09/2018 1 A Infografia e o Jornalismo de Dados na Construção do Acontecimento: Aproximações Téoricas 1 Mariane Pires Ventura 2 RESUMO A prática do Jornalismo de Dados tem com marco inicial o final da década de 1960, quando Philip Meyer aplica metodologias das ciências sociais combinadas à utilização do computador para reduzir as chances de erro na reportagem. A suposta precisão propiciada por essa técnica ganhou espaço nas redações e junto dela a utilização de infográficos como forma de explicitar os dados e torná-los inteligíveis se tornou uma prática usual. Partindo do pressuposto de que os números são neutros, porém as suas interpretações podem não ser, esse artigo busca fazer um tensionamento teórico sobre a visualização gráfica e a utilização do Jornalismo de Dados como parte da construção do acontecimento jornalístico. PALAVRAS-CHAVE: jornalismo de dados; acontecimento; infografia Introdução O crescimento exponencial do número de dados disponibilizados na rede, assim como o avanço e a popularização das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) traz para o ecossistema jornalístico novos desafios e possibilidades. O avanço tecnológico tem facilitado o acesso e o desenvolvimento de ferramentas capazes de acessar, capturar, armazenar e publicar dados. O fenômeno conhecido como Big Data advem dessa reunião de dados brutos criados continuamente no mundo inteiro. Porém, para que toda essa informação tenha serventia, inclusive para os jornalistas, é necessário um tratamento prévio, que transforme o dado em um recurso, e posteriormente, em um produto (COLUSSI, SILVA, 2017). Essa seria uma das etapas do chamado jornalismo de dados. Segundo Träsel (2017), essa nomenclatura, assim como o termo “jornalismo computacional” (ANDERSON, 2012; DIAKOPOULOS, 2012; LIMA JR., 2011) é uma das expressões contemporâneas utilizadas para se referir ao Jornalismo Guiado por 1 Trabalho apresentado ao GP Teorias do Jornalismo no XVIII Encontro dos Grupos de Pesquisas em Comunicação, evento componente do 41º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. Essa pesquisa conta com o apoio da CAPES por meio do Programa de Bolsas. 2 Doutoranda em Jornalismo pela Programa de Pós-graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Mestra e graduada em Jornalismo pela mesma instituição. E-mail: mariventura2@gmail.com .