A ATUAÇÃO DO CLERO SECULAR JUNTO AOS POVOS INDÍGENAS NA BAHIA COLONIAL NO CONTEXTO DO REFORMISMO ILUSTRADO (1750-1808) Fabricio Lyrio Santos Doutor em História Social Universidade Federal do Recôncavo da Bahia fabriciolyrio@gmail.com Resumo: O trabalho discute a atuação do clero secular ou paroquial junto às populações indígenas na Bahia colonial tendo como balizas temporais o começo do reinado de D. José, em 1750, e a transferência da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, em 1808. A transformação dos aldeamentos missionários indígenas em vilas e paróquias seculares (processo de secularização das missões), decretada entre os anos de 1755 e 1758, e a expulsão dos jesuítas do reino e domínios portugueses, promulgada em 3 de setembro de 1759, revelam um esforço significativo do governo português em implantar medidas reformistas balizadas pelo pensamento ilustrado da época e ancoradas no regalismo. Nesse cenário, o clero secular foi convocado a atuar junto às populações nativas promovendo sua catequização e incorporação ao rebanho paroquial. Baseando-se, sobretudo, na documentação do Arquivo Histórico Ultramarino e da Mesa da Consciência e Ordens, a pesquisa traz para a reflexão questões envolvendo os processos de consulta e provimento das paróquias criadas nas antigas missões jesuíticas. Palavras-chave: Clero secular; Povos Indígenas; Século XVIII. Introdução 1 Este trabalho é parte de uma pesquisa mais ampla que visa discutir a atuação do clero secular ou paroquial junto às populações indígenas na Bahia colonial tendo como balizas temporais o início do reinado de D. José, em 1750, e a transferência da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, em 1808. Neste contexto, ocorrem mudanças fundamentais no processo de cristianização dos povos nativos, tendo em vista as políticas indigenistas adotadas a partir da Lei de 6 de junho de 1755, editada em favor da liberdade dos índios, do Alvará com força de lei de 7 de junho do mesmo ano, que derrogou o 1 Registro aqui os agradecimentos a Carlos André Silva de Moura (UPE) e Lyndon de Araújo Santos (UFMA), coordenadores do ST 069. História das religiões e das religiosidades, pela acolhida do trabalho; a Evergton Sales Souza (PPGH-UFBA) e Pedro António Almeida Cardim (CHAM-FCSH-UNL), que propiciaram o impulso inicial desta pesquisa, em 2015, e à CAPES pela bolsa de pós-doutoramento concedida através do Programa CAPES-FCT Edital 038/2013.