Texto para o Portal Deviante Link: https://www.deviante.com.br/noticias/antropologia-viagens-para-fronteiras-e- bacurau/#disqus_thread Antropologia, viagens para fronteiras e Bacurau Renata Lacerda 27/09/2019 Imagine-se sozinha numa cidade de 25 mil habitantes na Amazônia, vendo o ônibus que te trouxe desaparecer sacolejante pela rodovia enlameada das chuvas de verão. Ao seu redor, apenas seu celular, seu notebook e a mala com roupas que tentam gritar “mulher casada!”, compondo elegantemente com a aliança no dedo. Tendo financiamento para pesquisas de campo na época (saudades eternas!), você encontrou um hotel em conta para passar seus dias entre baratas, hóspedes e funcionários. Agora você nada tem para fazer senão iniciar imediatamente seu trabalho etnográfico. Suponhamos, além disso, que você seja apenas uma principiante e todos que poderiam te auxiliar se encontram a centenas ou milhares de quilômetros. Isso descreve um pouco minha iniciação em 2013 como mestranda em Sociologia e Antropologia 1 na pesquisa de campo em Novo Progresso, cidade-sede do município de mesmo nome no Sudoeste do Pará, cortado pela BR-163, que liga Cuiabá (Mato Grosso) a Santarém (Pará).