76 Grupo de Trabalho 3 Afinal, isso (não) é uma festa? Um olhar sobre A Marcha para Jesus no interior do Amazonas Diego Omar da Silveira 1 Resumo: as festas têm sido, ao longo dos séculos, uma marca do catoli- cismo. Herança ibérica profundamente arraigada no Brasil, conviveu relativamente bem com uma formação religiosa realizada sobre a hegemonia da igreja católica. No entanto, com a atual pluralização do campo religioso e com o crescimento expressivo dos evangélicos, as festas entram novamente em pauta, em que arranjos e adequações parecem estar em curso. E um deles é que, em oposição à exteriori- dade (festiva) católica, outras igrejas, grupos e movimentos religiosos têm criado formas de ocupar os espaços públicos nas mais variadas cidades do país, de modo que também suas performances (rituais) e demandas sejam apresentadas. A presente comunicação analisa breve- mente esse conjunto de questões a partir da Marcha para Jesus. Trata- se de um evento realizado há mais de vinte anos e que se tornou um dos mais importantes eventos religiosos e midiáticos do Brasil. Todos os anos, o referido evento reúne milhões de evangélicos, de diferentes igrejas e confissões, que saem às ruas “em ato de louvor ao Senhor”. Atualmente, o movimento conta com um site institucional que regis- tra sua realização em várias regiões. Partindo desses dados, buscamos apresentar o resultado de algumas etnografias realizadas durante as marchas em cidades do interior do estado do Amazonas, como Parin- tins, Maués e Boa Vista do Ramos. Também apresentamos brevemen- te alguns resultados de questionários aplicados durante esse evento em três anos consecutivos (2017, 2018 e 2019) e que nos permitem mapear opiniões e crenças participantes das Marchas. Palavras-chave: Marcha para Jesus; opiniões; conservadorismo reli- gioso; São Paulo; Maués 1 Mestre em História pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e doutorando em Antropologia Social pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Professor do curso de História no Centro de Estudos Superiores de Parintins (CESP) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). E-mail: diegomarhistoria@yahoo.com.br.