ISSN: 2238-0272 #17.ART 17º Encontro Internacional de Arte e Tecnologia 2018 340 Fotografa: criação poética e construção política Rodolfo Ward O presente artigo tem por objeto analisar o pro- cesso de criação artística e teórica de artistas que transitam entre o fotodocumentarismo e a fotografa artística. Será feito levantamento teórico sobre as fricções entre a fotografa documental e a fotografa artística e como essas questões se imbricam com a noção de real e fccional, documental e artístico e consequentemente infuem na criação poética do artista. Iremos refetir sobre o pensamento histórico traçando uma linha temporal entre passado e pre- sente desconstruindo factualmente a relação do dis- positivo fotográfco com a documentação, o real, o fccional, a arte na modernidade e sua transmutação na pós-modernidade. Para isso abordamos autores, pesquisadores e teóricos da fotografa, artes visuais, história, sociolo- gia, arte e tecnologia que embasam e proporcionam recursos teóricos que fundamentam este trabalho. Entendemos que passamos por uma transmutação imagética global e que a fotografa tem intervenção e ativa participação nessa questão histórica, seja pela infuencia sobre a pintura no século XIX 1 , seja pela sua própria reinvenção no século XX adquirindo mais liberdade no fazer e criar artístico promovendo novas conceituações para o real extrapolando os conceitos binários pré-estabelecidos culturalmente na sociedade moderna. Consideramos que a liber- dade a qual a fotografa passou a ter a partir da emancipação da tecnologia digital tem interferência direta na dilatação dos conceitos de verdade e me- tanarrativas contemporâneas. As metanarrativas e o conceito de real e realida- de se expandiram criando uma crise e novos confi- tos na forma de ser e existir que remetem a uma cri- se no próprio conceito de paradigma 2 . É necessária a (re) construção histórica, coletiva, por diferentes olhares, para termos uma melhor percepção do que estamos vivendo e como devemos prosseguir. O atu- al momento abre espaço para novas possibilidades de diálogos e construção do real em que “devemos trabalhar de forma que a memória coletiva sirva para a libertação e não para a servidão dos homens.” (LE GOFF, 2003, p. 471). Pretendemos adentrar questões relacionadas à fotografa, em específco, sua contribuição e ligação com a ruptura dos conceitos de verdade e a expan- são das metanarrativas modernas já sedimentadas e estabelecidas na sociedade (ocidental) e que regiam por meio de convenções, instituições e regras so- ciais os modos de viver do indivíduo. Visamos eluci- dar como isso contribuiu para uma maior liberdade artística dos autores permitindo-lhes criar projetos que podem transitar entre o real e o fccional por meio de narrativas visuais autorais que se despren- dem da cultura tradicional e se entrelaçam e rela- cionam com a cibercultura criando novas estruturas de poder menos padronizadas e mais democráticas. Dentro desse novo contexto a fotografa contem- porânea tem sido utilizada em larga escala de modo fctício, ou seja, como forma de burlar a realidade, e, ou, apresentar uma nova realidade por meio da fcção. Uma realidade que nasce em uma sociedade informacional e em redes consumidoras ao mesmo tempo em que são criadoras de dados concebidos para serem compartilhados imediatamente nas plata- formas de redes sociais. Para exemplifcar podemos falar de uma realidade criada e editada pelo prosu- mer 3 por meio do selfie e editada por softwares de imagens como photoshop ou fltros automatizados das mídias sociais como os oferecidos pelo insta- gram que permitem edições elaboradas com poucos