71ª Reunião Anual da SBPC - 21 a 27 de julho de 2019 - UFMS - Campo Grande / MS 1 7.08.07 Educação/Tópicos Específicos de Educação BIOLOGIA DO CONHECER PARA UMA APROXIMAÇÃO AO TRABALHO COM CIÊNCIAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL. Beatrice Jazotte Pires de Vasconcelos 1, Valéria Trigueiro Santos Adinolfi 2 1. Estudante do Programa de Mestrado em Ensino de Ciências e Matemática do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP-SP) 2. Docente do Programa de Mestrado em Ensino de Ciências e Matemática do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP-SP) /Orientadora Resumo O ensino de Ciências em Educação Infantil constitui desafio, tanto em termos de conteúdo como de intencionalidade das práticas necessárias para formação da criança como sujeito de direitos e da infância como etapa de desenvolvimento humano. Sujeito e objeto da Educação Infantil requerem estabelecimento de parâmetros didático-pedagógicos próprios com múltiplos fatores, que exigem olhar multidisciplinar; por exemplo: integração ao meio e sustentabilidade. Na Educação, a Ciência justifica práticas educacionais da Educação Infantil a partir da LDB 9394/96 e os conhecimentos em Ciências tornam-se componentes do currículo. O objetivo geral deste artigo é discutir a percepção dos professores de Educação Infantil da rede pública municipal de educação de São Paulo quanto à aprendizagem das crianças em Ciências e a partir do contato com a Biologia do Conhecer, proposta por Humberto Maturana, formular e identificar práticas enriquecedoras ao ensino de Ciências na Educação Infantil. Este artigo surge a partir de pesquisa qualitativa de Programa de Mestrado em ensino de Ciências e Matemática pelo IFSP-SP. Autorização legal: Parecer Consubstanciado do Comitê de Ética (CEP/IFSP-SP) - nº 2.802.630 de 06 de agosto de 2018. Palavras-chave: Educação Infantil, Ensino de Ciências, Biologia do Conhecer. Introdução Maturana (2001), propositor da Biologia do Conhecer, diz que ciência não é uma predição do futuro, mas refere-se com o explicar. O cientista é a pessoa que tem paixão por explicar algo com certo critério de aceitação. Este critério seria a ―objetividade‖. No explicar científico, existiriam dois modos de entendimento das explicações: um em que observador- cientista ou não- se coloca parte da realidade observada e outro em que observador se coloca alheio, externo a realidade que observa, analisa ou explica. Para o autor, não existe observação isenta de participação e a constituição física, emocional e psicológica do observador atribuem diferentes tons às observações realizadas. O autor chama esta condição de “objetividade entre parênteses‖. O ensino de ciências na Educação Infantil, quando considera a “objetividade entre parênteses”; auxilia na formação de pessoas mais integradas ao meio e mais capazes de sustentabilidade, uma vez que se percebem como parte do meio. A Educação Infantil é um período fundamental na construção da identidade individual. Assim, apresentar elementos pedagógicos, didáticos e relacionais que contribuam nas práticas dos professores e que também favoreçam o desenvolvimento da autonomia na criança - sobretudo no que tange ao desenvolvimento da identidade e capacidade de observação - é a operação inicial para construção de uma- qualquer- explicação científica. Na identificação do percurso de formação do domínio cognitivo da ciência junto aos docentes de Educação Infantil da rede pública de ensino, havia a expectativa inicial de maior consciência nas ações educativas dos professores visando a promoção da consciência e autonomia em seus aprendizes. Esta expectativa não se cumpriu, pois como lembram Nascimento et al (2010) a formação de professores de ciências deve considerar o papel da educação científica em diferentes contextos e a própria cultura científica dos professores para a construção desta cultura pública da ciência; de maneira que este processo de formação de domínio cognitivo, tanto do professor como da criança, não é simples nem imediato. Além disso, os paradigmas científicos e pedagógicos em que os professores se formaram e atuam são os da observação objetiva ―sem parênteses‖. Segundo Maturana (2001, p.129) ― as emoções são disposições corporais dinâmicas que especificam os domínios de ações nos quais, os animais em geral, e nós seres humanos em particular, operamos num instante‖. Ou seja, observamos no domínio particular do observar, andamos em nosso domínio particular do andar e assim ocorre com todas as ações cotidianas. O caminho da alfabetização científica para os pequenos passa por possibilitar às crianças emoções de curiosidade que produzam relações e ambientes estimuladores de aprendizagem, formando círculos virtuosos de observação, análise e construção de conhecimento. Metodologia