Are we underestimating the threat status of Brazilian bats? Ludmilla M.S. Aguiar¹* & Maria João Ramos Pereira² , ³ ¹ Laboratório de Biologia e Conservação de Morcegos, Instituto de Ciências Biológicas, Departamento de Zoologia, Universidade de Brasília – UnB. Campus Darcy Ribeiro, Brasília, DF – Brazil. ² Bird and Mammal Evolution, Systematics and Ecology Lab, Departamento de Zoologia, Instituto de Biociências, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Campus do Vale, Porto Alegre, Brazil. ³ Center for Environmental and Marine Studies, Universidade de Aveiro, Campus de Santiago, Aveiro, Portugal. * Corresponding Author: aguiar.ludmilla@gmail.com Abstract: Current estimates show that most mammals are susceptible to habitat loss. Some authors consider that bats should be particularly vulnerable to anthropogenic land-use changes due to their unique life-history: fast metabolism, low reproductive rates, high longevity, and gregarious behavior in many species. A single event may have long-term consequences, as populations will slowly recover from increased mortality. Considering that the evaluation of a species threat status is the primary step for conservation planning, and that in general we should expect that bats should respond like other mammals due to the massive anthropogenic threats, here we compare bat conservation status with that of the remaining mammals in Brazil, South America and worldwide to evaluate if their perceived level of threat is similar. We also evaluate if knowledge on threatened species in Brazil is balanced among taxa. According to IUCN 21.2% of the world’s mammals are globally threatened, while threatened bats represent 14.5% of bats. In South America threatened bats represent just 7%, while in Brazil it goes down to 1% of bats. The number of published papers differs between threatened mammal taxa with five species – from the Carnivora, Cetartiodactyla and Sirenia – corresponding to almost half of the literature. Seeing that Brazil is megadiverse and suffering huge rates of deforestation, our results indicate an unbalanced assessment, with bats (wrongly?) perceived as less threatened than the whole of the other mammals. Finally, considering the lack of robust ecological data on many species we suggest the use of alternative approaches for the redefinition of bat conservation status in Brazil. Key-Words: Chiroptera; Conservation; IUCN criteria; Mammalia; South America. Resumo: Estamos subestimando o status de ameaça dos morcegos brasileiros? Estimativas atuais mostram que a maioria dos mamíferos é suscetível à perda de habitat. Alguns autores consideram que os morcegos deverão ser particularmente vulneráveis a mudanças no uso da terra devido à sua história de vida: metabolismo acelerado, baixas taxas reprodutivas, alta longevidade e comportamento gregário em muitas espécies. Um único evento pode ter consequências a longo-prazo, pois as populações se recuperarão lentamente de uma mortalidade acentuada. Considerando que a avaliação do status de ameaça é o primeiro passo no planejamento de conservação e que morcegos responderão de modo geral da mesma forma que outros mamíferos às grandes ameaças antrópicas, comparamos o estado de conservação de morcegos com dos demais mamíferos do Brasil, América do Sul e do mundo para avaliar se o seu nível reconhecido de ameaça é equivalente. Também avaliamos se o conhecimento sobre mamíferos ameaçados no Brasil é análogo entre táxons. Segundo a IUCN, 21,2% dos mamíferos estão ameaçados globalmente, enquanto morcegos ameaçados representam 14,5% dos morcegos. Na América do Sul, morcegos ameaçados representam apenas 7% dos morcegos presentes, enquanto no Brasil esta proporção cai para 1%. Os artigos publicados diferem entre táxons de mamíferos ameaçados com cinco espécies – de Carnivora, Cetartiodactyla e Sirenia – correspondendo a quase metade da literatura. Considerando que o Brasil é megadiverso, e sob elevadíssimas taxas de desmatamento, nossos resultados indicam uma avaliação desequilibrada, com morcegos (erroneamente?) reconhecidos como menos ameaçados do que os restantes mamíferos. Finalmente, considerando a falta de dados ecológicos robustos para muitas espécies, sugerimos o uso de abordagens alternativas para a redefinição do estado de conservação de morcegos no Brasil. Palavras-Chave: América do Sul; Chiroptera; Conservação; Critérios UICN; Mammalia. EnSAioS 144 Boletim da Sociedade Brasileira de Mastozoologia, 85: 144-151, 2019 © 2019 Sociedade Brasileira de Mastozoologia