O que pode ser a história digital? Teoria, ensino e novas tecnologias Pedro Telles da Silveira Thiago Lima Nicodemo A articulação entre teoria da história, ensino de história e as novas tecnologias não é exatamente uma novidade já que os historiadores e historiadoras vêm reagindo desde pelo menos a década de 1960 frente ao horizonte da introdução de novas tecnologias. A introdução destas tecnologias no ofício da história implicou uma série de desafios metodológicos, principalmente relacionados à análise de grandes quantidades de dados e a possibilidade de autenticação dos novos tipos de fontes históricas, sobretudo aquelas cujas existência é exclusivamente digital. No entanto, estes profissionais mostram certa resistência a uma reflexão mais sistemática sobre o tema, mesmo diante da quase inevitável incorporação de recursos digitais nas suas suas dinâmicas de ensino e pesquisa. Seria possível dizer então que os historiadores e historiadoras têm respondido a essa demanda de maneira diversa e, no geral, dispersa, o que também é resultado da variedade de ferramentas e instrumentos digitais utilizados. Mais importante ainda, o treino nessas ferramentas tem sido levado a cabo por profissionais e grupos de pesquisa frequentemente situados às margens da teoria da história enquanto campo estabelecido e, em certo sentido, autônomo. Quanto a isso, 1 portanto, os efeitos da relação entre conhecimento histórico e as tecnologias digitais, apesar de sua presença cada vez maior em diferentes campos da investigação histórica, têm sido obscuros para a teoria da história enquanto área de atuação e reflexão. De outro lado, porém, ainda são incipientes os esforços da teoria da história para abordar as mudanças trazidas pelas novas tecnologias para conceitos fundamentais da prática histórica – tais como fontes, narrativa, representação, tempo e verdade – ou campos de atuação privilegiados por historiadores e historiadoras, como as alterações introduzidas na natureza do arquivo, as mudanças na circulação dos discursos de 1 Alguns exemplos são os historiadores e historiadoras que usam bancos de dados na pesquisa histórica, muitas vezes relacionados à prosopografia ou diversas variedades da história quantitativa. No Brasil, esse campo é bem representado pelo trabalho contínuo – e que merece maior atenção – de Tiago Luís GIL. Como se faz um banco de dados (em história ). Porto Alegre: Ladeira Livros, 2015; Tiago Luís GIL; Leonardo BARLETA. “Formas alternativas de visualização de dados na área de história: algumas notas de pesquisa”, in Revista de História (USP), nº 173, jul.-dez 2015, pp. 427-455.