A posição do método dialético na interpretação do Banquete* Andre da Paz** 1. Introdução Como é sabido, os diálogos platônicos não são manuais de filosofia, muito menos tratados sistematizados. Em vez disso, os Diálogos são dramatizações por meio de personagens, cujas falas em sua maioria são construídas como conversas que partem de assuntos da vida dos interlocutores e desembocam em reflexões filosóficas fundamentais. Nessas conversas, as ideias passam a ser discutidas filosoficamente em homologia [ὁμολογία], acordo cujo objetivo é a busca pela verdade, permitindo o desenvolvimento de um método dialético capaz de conduzir os participantes, por meio destes acordos fundados em razões, da confusão e contraditoriedade das opiniões e hipóteses iniciais para a unidade inteligível da dimensão definicional essencial das Formas (Fronterotta 2018, p. 201). Essa dimensão funda a experiência particular à qual ambos podem voltar no final da discussão e confirmara adequação do objeto encontrado com o ponto inicial, de modo a, com a realização da experiência da verdade, sanar as contradições no discurso. Nesse momento de confirmação, tem-se por fundamento não mais as hipóteses que levaram às Formas, mas as próprias Formas como princípio unificador. Em outras palavras, Platão apresenta por meio da dramatização de diálogos o método por meio do qual, primeiramente, há uma anabasis dialética que leva as personagens a partir da contraditoriedade das experiências que fundam as opiniões, em meio aos múltiplos particulares da dimensão da experiência, e ascender das hipóteses preliminares formuladas no início da discussão em direção da unidade inteligível das Formas. Quando a refutação torna manifesta a contraditoriedade das hipóteses e os interlocutores aceitam tal refutação, é possível atingir as essências e formular definições essenciais. Depois disso, tal refutação é o que permite os interlocutores partirem do princípio que funda as coisas particulares e mergulhar em uma katabasis que retorna à multiplicidade de modo * Comunicação desenvolvida para apresentação oral no seminário da “II Summer School Archai, (Re-)traduzindo os Clássicos", da Cátedra UNESCO Archai sobre as origens do pensamento ocidental. ** Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Metafísica da Universidade de Brasília. Contato: andredapaz1892@gmail.com.