80 A politica externa do Governo Lula com a África Lusófona: dimensão política, cooperativa, educacional e econômica La politique étrangère du gouvernement Lula avec le lusophone Afrique: dimension politique, coopérative, éducative et économique Antonio Gislailson Delfino da Silva 1 RESUMO Ligados histórica e culturalmente, Brasil e África têm laços de relacionamento antigos; remontam ao período colonial e se devem, em grande medida, à colonização portuguesa. No entanto, após o fim da II Guerra Mundial, as relações entre Brasil e África, em especial aos países da África Lusófona começam a ganhar novos horizontes. Retomados com certo fôlego a partir do final da década de 1960, nos governos de Jânio Quadros e, em seguida, no governo de Joao Goulart com o lançamento da política externa independente (PEI), nem por isso, os vínculos políticos, econômicos e estratégicos com a África receberam, nos anos posteriores, prioridade por parte dos condutores da política externa brasileira. Contudo, no novo século, com a administração do Ex-presidente Lula, a África passou a ocupar espaço maior na agenda brasileira internacional. A Política Externa Brasileira para a África durante os governos Lula da Silva (2003-2010) é tida como uma grande mudança em relação aos períodos anteriores, tendo como argumento o aumento no número de projetos de cooperação, a abertura e reabertura de embaixadas brasileiras no continente africano e, por outro lado, apoiada pelo discurso de solidariedade internacional e da existência de uma “dívida” histórica com a África. Nessa perspectiva, o objetivo deste trabalho é discutir as motivações do governo Lula rumando para África e seu significado, ou seja, se uma maior solidariedade com o continente tido como “o mais pobre do mundo”, conforme a retórica governamental, ou se o mesmo se insere como mercado e região promissores para as novas demandas e interesses nacionais. Como metodologia, foi utilizada a pesquisa bibliográfica. Palavras-chave: Política externa brasileira. Relações Brasil-África. Relações Sul-Sul. Governo Lula. RÉSUMÉ Historiquement et culturellement liés, le Brésil et l’Afrique entretiennent des relations de longue date; remontent à la période coloniale et sont en grande partie dues à la colonisation portugaise. Cependant, après la fin de la seconde guerre mondiale, les relations entre le Brésil et l’Afrique, en particulier les pays africains lusophones, commencèrent à ouvrir de nouveaux horizons. Repris avec un certain souffle de la fin de la décennie de 1960 sur les gouvernements de Jânio Quadros, puis sur le gouvernement de João Goulart avec le lancement de la politique étrangère indépendante (PIP), non pas, les liens politiques, économiques et stratégiques avec le Dans les années ultérieures, l’Afrique a reçu la priorité des moteurs de la politique étrangère brésilienne. Cependant, au début du nouveau siècle, avec le gouvernement de l’ancien président Lula, l’Afrique occupait une place plus importante dans l’agenda international du Brésil. La politique étrangère du Brésil en ce qui concerne l’Afrique le Lula da Silva (2003-2010) les gouvernements sont perçus comme un changement majeur par rapport aux périodes précédentes, avec une augmentation du nombre de projets de coopération, 1 Especialista em Relações Internacionais pela Faculdade Verbo Educacional. Especialista em Gestão Pública, Licenciado em Sociologia e Bacharel em Humanidades pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira - UNILAB. E-mail gislailsondelfino@yahoo.com.br.