Kant e o problema da ‘fotografia’ na experiência estética* Andre da Paz** 1. Introdução A autonomia do juízo de gosto puro pelo belo, devido à sua total liberdade em relação tanto à dimensão do conhecimento quanto à dimensão da moral, permite-nos tratar sobre o problema da fotografia enquanto arte, sem termos que, como em Platão, levar em consideração a teoria do conhecimento kantiana, muito menos sua teoria moral. Estaremos, neste artigo, imersos nas águas da imaginação e da subjetividade: a dimensão estética. Entretanto, devemos apontar para um conceito decisivo para a estética kantiana, ainda dependente de um pano de fundo desenvolvido em sua filosofia crítica como um todo: os a priori. Grosso modo, a filosofia crítica de Kant desenvolve-se em uma espécie de tripé: a dimensão do conhecimento, a dimensão do dever e a dimensão dos juízos. A primeira é desenvolvida no que costumamos chamar de filosofia teórica; a segunda, por sua vez, na filosofia prática; a terceira – a que nos interessa – na teleologia. Na medida em que nessas investigações Kant busca demonstrar formalmente a possibilidade efetiva dessas três dimensões na racionalidade humana, parte-se do pressuposto que as asserções nestes campos sejam válidas para todos os indivíduos. Deste modo, suas formulações precisam fundamentar-se sobre princípios universais para terem validade universal, os quais são apresentados como princípios a priori, princípios anteriores à dimensão da experiência, que se encontra submetida à causalidade da natureza. Tudo na natureza opera de acordo com a causalidade. Isso significa que a natureza funciona de acordo com leis. Se lançarmos uma pedra para o alto, ela cairá; * Artigo desenvolvido para a edição Nº67, de outubro de 2015, “Amor, Memória e Arte”, da Revista Pandora Brasil. ** Graduando do Curso de Filosofia no Centro de Educação, Filosofia e Teologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Contato: andredapaz1892@gmail.com.