1 SISTEMAS ALGORÍTMICOS E GOVERNAMENTALIDADE: PERSPECTIVAS DA SOCIEDADE DE CONTROLE E CAPITALISMO DE VIGILÂNCIA Rene Eduardo ARRUDA 1 A popularização da internet e das tecnologias digitais, e em especial de dispositivos móveis como smartphones, permitiram que sistemas algorítmicos se tornassem cada vez mais presentes no cotidiano. LinkedIn, Pinterest, Flickr, Youtube, Twitter e Facebook são sistemas que fazem uso de algoritmos para organização e distribuição de conteúdos publicados por usuários e anúncios publicitários. Google, Amazon e Apple, dentre outros, desenvolveram sistemas algorítmicos para prestarem serviços diversos aos seus usuários, como busca de conteúdos na internet e recomendação de personalizada de produtos. O crescimento do uso destes sistemas se deu, ao menos em um primeiro momento, em vista de sua evidente utilidade para realizar uma tarefa qualquer na internet. Todavia, estes sistemas algorítmicos também guardam uma dimensão política. Ao organizarem os conteúdos da web, disponibilizando-os ou não a determinados usuários, e direcionarem publicidade de forma personalizada, sistemas algorítmicos inscrevem relações de poder e conduzem as condutas humanas em alguma medida. Mas o que são sistemas algorítmicos? De acordo com o sociólogo e professor da UFABC Sergio Amadeu da Silveira, sistemas algorítmicos são rotinas finitas e logicamente encadeadas que realizam tarefas a partir de informações quer recebem (2019, n.p.). Algoritmos, na computação, são processos ou conjuntos de regras a serem seguidas pela máquina em cálculos ou outras operações de solução de problemas. Em outras palavras, um algoritmo é uma lista de tarefas sofisticada para um computador seguir, comparável a uma receita de bolo ou um manual passo-a-passo. Algoritmos, no sentido empregado pela matemática, não são novidade, e suas origens podem ser traçadas até a Bagdá do século IX. “Algoritmo é um método para solucionar um problema”, afirma Silveira (2019, n.p.), lembrando que “problema” neste trecho refere-se ao sentido matemático da palavra. Quaisquer softwares, recentes ou antigos, fazem 1 Renê Eduardo Arruda é jornalista, mestre em Comunicação e Semiótica da PUC-SP, pós-graduado em Teorias da Comunicação pela Faculdade Cásper Líbero e membro do grupo de pesquisa CCM da PUC-SP. Atua profissionalmente como professor, pesquisador e especialista em processos ágeis de desenvolvimento de software. Sua pesquisa está no eixo transversal entre política, tecnologias digitais e semiótica. E-mail: rene.arruda87@gmail.com