Anais do IV Congresso Internacional História, Regiões e Fronteiras (CIHRF) Gizele Zanotto (Org.) - ISSN 2318-6208 Universidade de Passo Fundo (UPF) – 2018 – Passo Fundo/RS 431 Sonoridades fronteriças: reflexões acerca da ideia de fronteira musical Ghadyego Carraro 1 Gérson Luis Trombetta 2 Resumo: Este artigo integra parte da pesquisa sobre a constituição da sonoridade fronteiriças presente na fronteira entre Uruguai, Argentina e Rio Grande do Sul (Brasil). O estudo trabalha com a hipótese de que a referida região de fronteira é um espaço histórico e peculiar, marcado por características climáticas (frio e vento), modos de vida (isolamento e melancolia) e encontros culturais que impulsionaram processos híbridos capazes de gerar sonoridades musicais específicas, destacando-se, de modo especial, a milonga. Neste sentido, enfatiza-se sobre a influência de formas musicais tradicionais europeias como a forma sonata, o minueto e a contradança presentes no ambiente sul- americano e da sua importância para a composição de novos ingredientes de hibridação no espaço fronteiriço. Também sobre a ocorrente propagação destas sonoridades com ênfase em artistas da chamada música popular regional sul-rio-grandense, principalmente na segunda metade do século XX, dentre alguns: Vitor Ramil, Luis Carlos Borges, Bebeto Alves, Renato Borghetti, entre outros. Com base nesta tese, defende-se a importância dos diferentes agentes naturais que quando associados as atividades específicas do sujeito fronteiriço recriam e estabelecem um ambiente culturalmente fértil, que projeta no âmbito musical, sonoridades que ultrapassam os limites nacionais e constituem mais uma perspectiva da fronteira, desta vez no aspecto das sonoridades. Palavras-chave: História e música; milonga; fronteira; fronteira musical; sonoridades. PRELÚDIO O presente texto discute alguns aspectos historiográficos da concepção de fronteira, além de apontar alguns caminhos para a discussão da ideia de fronteira sonora ou musical, com base nos aspectos musico/estruturais de gêneros fronteiriços característicos como milonga, o chamamé e a chacarera. Neste sentido, nos concentraremos em um dos gêneros neste trabalho, em especial a milonga, esta compõe aspectos peculiares da cultura, do folclore e da identidade na região de fronteira, principalmente, a partir de Buenos Aires, passando pelo Uruguai, sul do Brasil até a província argentina de Corrientes. Dentre os interesses deste artigo, destacam-se alguns apontamentos e análises da estrutura musical do gênero e sua relação com a identidade do fronteiriço e as sonoridades de fronteira. Sendo assim, apresenta-se um breve referencial teórico que tem por base: Ayestarán (1967), Ramil (1997; 2004), Rossi (1958) e Vega (1998). Para estruturarmos este pensamento, o artigo versa inicialmente alguns aspectos históricos da fronteira e da milonga e, além disso, a sua relação com a construção da identidade fronteiriça. Em seguida, são apresentados alguns pontos principais da estrutura musical do gênero, seguidos de análise de exemplos musicais. Buscou-se construir um diálogo reflexivo envolvendo as áreas da história e música para aprofundar e conjecturar aspectos internos e externos da milonga. Nesse sentido, intenciona-se conhecer e aprofundar questões referentes às origens e aspectos musicais, além de perspectivas de constituição dessas sonoridades. 1 Ghadyego Carraro - Licenciatura em Música pela Universidade de Passo Fundo (2009), Mestrado em Música pela Universidade Federal de Goiás (2014), Doutorado em História pela Universidade de Passo Fundo (em andamento). Além de atuar no ensino superior e pós-graduação com disciplinas específicas da área da música, tem ministrado disciplinas de viés educativo e histórico. Como pesquisador tem dialogado com as áreas da música, educação, história, publicando constantemente em eventos de pesquisa pelo Brasil. Como instrumentista realizou aperfeiçoamento na Itália e tem atuado na mescla de elementos da música de concerto, sul-americana, popular brasileira e jazz. Email: gadiegobass@hotmail.com 2 Gerson Luís Trombetta - Possui graduação em Filosofia Licenciatura Plena pela Universidade de Passo Fundo (1993), mestrado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1998), doutorado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2006) e pós-doutorado em Filosofia na Universidade Federal de Minas Gerais (2015). Atualmente é professor titular e pesquisador da Universidade de Passo Fundo na área de Filosofia e no Programa de Pós-Graduação em História. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Filosofia da Arte e da Cultura, Filosofia da Linguagem e Teorias da História. Email: gersont@upf.br