BEYONCÉ E O PESO DA BRANQUIDADE NO DEBATE SOBRE MULHERES NEGRAS Alexandre Marques Silveira 1 Marília de Nardin Budó 2 BEYONCÉ: MUSICALIDADE, FEMINISMO E LUTA Historicamente, a música vem sendo usada como um instrumento de protesto 3 : “[...] a música não é apenas boa para ouvir, mas também é boa para pensar” 4 . Por isso, é comum nos depararmos com compositoras e compositores que utilizam as letras de suas músicas para expor suas indignações pessoais, angústias e formas de ver os problemas sociais. Em geral, essas manifestações conseguem atingir grandes públicos, especialmente quando a/o artista possui grande influência. A música pode causar diversos efeitos emocionais em seus ouvintes, como alegria, tristeza, raiva e nostalgia. Além disso, quando esses sentimentos afetam várias pessoas, podem gerar a idealização de movimentos sociais 5 . Alguns dos maiores exemplos de expressões críticas na música brasileira hoje estão no Hip Hop e no Rap, que surgiram nas periferias da Jamaica na década de 1960 e serviam como um mecanismo de exteriorização da violência estrutural sofrida pelos cidadãos e cidadãs do país 6 . Além disso, a música também serve como uma forma de construção da identidade pessoal e de inclusão social dos indivíduos, auxiliando na auto-estima quando o indivíduo 1 Mestrando em Direito da Faculdade Meridional de Passo Fundo - IMED, com bolsa na modalidade Taxa PROSUP/CAPES. Especialista em Direito Penal pela Faculdade de Direito Prof. Damásio de Jesus. Membro do grupo de pesquisa Poder, Controle e Dano Social da IMED, coordenado pela Profª Drª Marília De Nardin Budó e pelo Prof. Dr. Felipe da Veiga Dias. Possui graduação em Direito pela Faculdade Metodista de Santa Maria - FAMES. E-mail: alexandremarquesilveira@gmail.com. 2 Doutora em direito pela UFPR. Mestre em direito pela UFSC. Graduada em direito e jornalismo pela UFSM. Professora do PPGD da IMED. Coordenadora do grupo de pesquisa Poder, Controle e Dano Social da IMED. 3 CARVALHO, Mário Vieira de. A Música e a Luta Ideológica. Lisboa: Editorial Estampa, 1976. 4 NAPOLITANO, Marcos. História e música: história cultural da música popular. Belo Horizonte: Autentica, 2002. 5 CARVALHO, Mário Vieira de. A Música e a Luta Ideológica. Lisboa: Editorial Estampa, 1976. 6 DUTRA, Juliana Noronha. Rap e identidade cultural. Anais XVI Congresso da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Música (ANPPOM). Disponível em: <http://antigo.anppom.com.br/anais/anaiscongresso_ anppom_2006/CDROM/COM/02_Com_Etno/sessao02/02COM_Etno_0202-092.pdf>.Acesso em 15 mar. 2017.