Revista Sapiência: Sociedade, Saberes e Práticas Educacionais V.6, N.2, p.269-306, Ago./Dez., 2017. ISSN 2238-3565 Método, metodologia e sujeito na “leitura” Geográfica do Trabalho no século XXI 1 Method, methodology and social agent in labor geography in the 21st century Fernando Mendonça Heck Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), Campus Avançado Tupã fernando.heck@ifsp.edu.br ______________________________________________________________ Resumo A presença da discussão sobre o trabalho na Geografia brasileira tem aumentado significativamente desde a década de 1990. Vários artigos, monografias, dissertações e teses sobre o assunto foram publicadas e, também, cresceu significativamente o número de grupos de pesquisa que se dedicam a estudar esta temática. Deste modo, compreender as abordagens teórico-metodológicas presentes nestes estudos é o objetivo no presente texto. Optamos por estudar 27 teses de doutorado defendidas no âmbito do Centro de Estudos de Geografia do Trabalho (CEGeT), um dos primeiros a colocar em execução estudos sobre o trabalho na Geografia brasileira e atualmente constituído numa rede de pesquisadores(as) presente em 23 estados do Brasil. Verificamos que as pesquisas analisadas abordam e utilizam grande diversidade de fontes e estratégias metodológicas relacionadas aos objetivos de cada investigação individual e, portanto, não há uma compreensão fechada sobre as mesmas. Do mesmo modo, observamos que o materialismo histórico dialético é a referência central da Geografia do Trabalho, porém nunca restrito à revisão bibliográfica pura e sempre articulado com os trabalhos de campo e abordagens metodológicas plurais que permitam compreender os sujeitos do trabalho no século XXI. Palavras chave: Trabalho; Método; Metodologia; Sujeito Social. ______________________________________________________________ Abstract The presence of the discussion about labor in Brazilian Geography has increased significantly since the 1990s. Several articles, monographs, 1 Este texto tem sua origem na nossa tese de doutorado defendida no ano de 2017 junto ao Programa de Pós-Graduação em Geografia da FCT/UNESP Campus de Presidente Prudente (SP), sob orientação do Prof. Marcelo Dornelis Carvalhal. No entanto, a presente versão contou com a colaboração de onze leitores(as) críticos(as) que tornaram o artigo muito mais palpável e, certamente, melhor do que o manuscrito original, aos quais agradeço de coração pelas contribuições. Se não consegui incorporá-las integralmente ou dei sentidos distintos ao que foi solicitado a consequência é toda minha e dos meus limites teóricos e intelectuais.