3º Simpósio Científico do ICOMOS Brasil Belo Horizonte/MG - de 08 a 10/05/2019 PATRIMÔNIO URBANO, PAISAGENS CULTURAIS E MEIO AMBIENTE DE CIDADE TOMBADA A CENTRO HISTÓRICO: embates em prol do perímetro de proteção do IPHAN em São João del-Rei, Minas Gerais DIAS, DIEGO NOGUEIRA 1. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Programa de Pós-Graduação em Arquitetura (PROARQ/UFRJ) Av. Pedro Calmon, 550 - Cidade Universitária, Rio de Janeiro - RJ, 21941-485 diegofletcher@hotmail.com RESUMO São diversas as terminologias que buscam classificar a abrangência imediata das áreas tombadas pelos órgãos de preservação no Brasil: conjunto, perímetro, entorno, imediações, dentre outras. Termos como ambiência e paisagem cultural vieram em seguida, ao avançar das discussões a respeito da temática, ao longo do século vinte, principalmente nas Cartas Patri moniais. São João del- Rei é uma das sete cidades mineiras tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) logo após a criação do Decreto-Lei 25/37, que formalizou a política de preservação brasileira. Integra assim, o grupo de cidades e objetos que fundam os processos de patrimonialização no país e que vem obtendo de atenção dos poderes públicos há mais de oitenta anos. Quando do tombamento desses núcleos urbanos, não se estabeleceu um perímetro que delimitasse a área protegida, tendo os técnicos do IPHAN considerado as áreas urbanas resguardadas em sua totalidade. A partir dos impasses entre agentes do Patrimônio e moradores, ao passo que estes atribuíam ao tombamento a responsabilidade pelo entrave do progresso de suas cidades, este trabalho discorre e analisa o caso da delimitação de tombamento de São João del -Rei, a primeira cidade a ter formalizado um perímetro de proteção federal, em 1947. Com o episódio em torno da demolição de um grande sobrado do século dezenove, agentes como Alcides da Rocha Miranda, Sylvio de Vasconcellos e Arthur Arcuri, pressionados pelo Comitê Propugnador das Aspirações de São João del-Rei, em consonância com os jornais e a Associação Comercial, estudam e definem a poligonal da área tombada, num ato que se replicaria em diversas outras cidades país afora. A análise da documentação disponível no Arquivo Central do IPHAN no Rio de Janeiro permitiu construir uma narrativa concisa, suprimindo lacunas remanescente sobre o tema e esclarecendo a consolidação atual do conjunto preservado em São João, predominantemente colonial. Parcela do espaço negociada em prol de uma ideia de 'nação', excludente e parcial. Palavras-chave: perímetro de tombamento; IPHAN; São João del-Rei; paisagem cultural.