Anais do XVI Encontro de Iniciação Científica e I Encontro de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da PUC-Campinas 27 e 28 de setembro de 2011 ISSN 1982-0178 Organização curricular dos cursos de Biblioteconomia brasileiros Andressa Mello Davanso Faculdade de Biblioteconomia Centro de Ciências Humanas Sociais Aplicadas andressadavanso@puccamp.edu.br Mariângela Pisoni Zanaga Gestão da Informação Centro de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas marianpz@puc-campinas.edu.br Resumo: Pesquisa documental com o objetivo de verificar o desdobramento das Diretrizes Curriculares de Biblioteconomia nas propostas de cursos brasilei- ro. O mapeamento das disciplinas dos núcleos de Formação Geral e de Formação Específica através da consulta aos sites das instituições de ensino supe- rior (IES) que oferecem o curso demonstrou que as disciplinas de Formação Geral não contemplam to- das as grandes áreas de conhecimento existentes na Tabela do CNPq, concentrando-se em Ciências Hu- manas e em Lingüística, Letras e Artes, as IES públi- cas incluem optativas, principalmente, para a área de Formação Geral, as disciplinas de Formação Especí- fica enfatizam as áreas de Processamento da Infor- mação/Organização e Tratamento da Informação e de Recursos e Serviços de Informação e que os cur- sos de Biblioteconomia devem estudar seu campo de estudo e de atuação com o objetivo de repensar as necessidades da área de Gestão de Unidades de Informação, que é a menos privilegiada nas estrutu- ras curriculares brasileiras. Palavras-chave: Biblioteconomia, Diretrizes curricu- lares, Formação geral e específica Área do Conhecimento: Ciências Sociais Aplicadas - Ciência da Informação - Biblioteconomia INTRODUÇÃO A Resolução CNE/CES de 13 de março de 2002 es- tabeleceu as diretrizes curriculares para os cursos de Biblioteconomia [3]. Elas passaram a orientar a for- mulação de projetos pedagógicos de instituições de ensino superior (IES) brasileiras, que devem explici- tar o perfil dos formandos, as competências e habili- dades gerais e específicas a serem desenvolvidas, os conteúdos curriculares de formação geral e espe- cífica, o formato dos estágios, as características das atividades complementares, a estrutura do curso e as formas de avaliação. O projeto pedagógico e a orga- nização curricular podem, a critério da IES, definir um perfil específico para o egresso, desde que os pontos apresentados nas diretrizes sejam atendidos. Os conteúdos dos cursos são classificados em conteú- dos de formação geral que visam “o melhor aprovei- tamento dos conteúdos específicos” e de formação específica, ou seja, nucleares à identidade profissio- nal. Cada curso pode, então, estabelecer as discipli- nas que comporão o núcleo de formação geral e o de formação específica. A pesquisa realizada se caracterizou como documen- tal e bibliográfica, uma vez que se baseou nas Dire- trizes Curriculares para cursos de Biblioteconomia brasileiros, documento-base que subsidia a elabora- ção de projetos político-pedagógicos e de organiza- ção curricular, em informações disponibilizadas em sites de IES que oferecem o curso e na literatura es- pecializada sobre a formação do bibliotecário. Com o objetivo de verificar o desdobramento das Diretrizes Curriculares de Biblioteconomia nas pro- postas de cursos brasileiros de Biblioteconomia, as disciplinas do núcleo de Formação Geral e de For- mação Específica dos cursos brasileiros de Bibliote- conomia foram mapeadas. O ENSINO DE BIBLIOTECONOMIA NO BRASIL O primeiro curso de Biblioteconomia no Brasil foi cri- ado pela Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, em 1911. Neste mesmo ano, o curso foi regulamentado pela Lei nº 2.356, de 31 de dezembro incluindo “pro- vidências para a instalação do curso de um ano de duração, com quatro disciplinas: Bibliografia, Paleo- grafia e Diplomática, Iconografia e Numismática” [6]. Ele começou em 1915 e foi extinto em 1922. Durante este período o curso recebeu influência francesa, pois para se tornar bibliotecário o candidato deveria ter conhecimento amplo nas áreas de Humanas, Lín- guas e Ciências. A partir de 1931, elevoltou a funcio- nar; a duração passou a ser de dois anos e foram incluídas as disciplinas de História Literária (com a- plicação à Bibliografia), Iconografia e Cartografia. No final da década de 20, do século passado, o ensi- no de biblioteconomia passa a receber a influência americana. Em 1929, o segundo curso de Biblioteco- nomia do país foi criado em São Paulo no Instituto Mackenzie pela bibliotecária americana Dorothy Mu- riel Gueddes. As disciplinas oferecidas estavam vol- tadas para a organização de bibliotecas, sendo Cata- logação, Classificação, Referência e Organização. A bibliotecária do Instituto Mackenzie, Adelpha Rodri-