121 Revista da ATO – escola de psicanálise | Belo Horizonte | Pulsão e clínica | Ano 5, n. 5 | 2019 Entre o Unheimliche e o queer: o objeto a como resíduo não- identitário no sujeito Vinícius Moreira Lima 1 Resumo: Iniciamos este trabalho discutindo al- gumas aproximações entre o Unheimliche freudia- no e o surgimento do queer, uma forma de injúria que sofreu uma reapropriação política ao longo da década de 1990. Desde Freud, tal como relido por Lacan, o infamiliar se define pela inquietante apa- rição de algo do íntimo – o objeto a – que o sujeito não pode reconhecer na imagem especular. Por sua vez, a aparição do queer, na cena da cultura, se dá inicialmente como uma forma de contestação em relação à “identidade gay” que se formou ao longo da década de 1980, nos Estados Unidos, identida- de que buscava normatizar a própria homossexua- lidade. Ao sustentar uma crítica da normalização identitária, o queer orbita em torno de uma di- mensão do sujeito que resiste a toda tentativa de 1 Graduando em Psicologia pela UFMG (2015-2019). Coordenador, juntamente com o Prof. Guilherme Massara Rocha, da pesquisa “Psicanálise lacaniana e teoria queer: um debate possível?”, em andamento no Departamento de Psicologia da UFMG (2017). Bolsista de iniciação científica do CNPq sob orientação da Profa. Ângela Vorcaro, pesquisando a subversão lacaniana do falocentrismo. E-mail: vmlima6@gmail.com