DOSSIÊ – OLHARES DO FENÔMENO RELIGIOSO E DO MITO Cronos: R. Pós-Grad. Ci. Soc. UFRN, Natal, v. 12, n.1, p. 79-89, jan./jun. 2011, ISSN 1518-0689 79 Mito e Ideologia Myth and ideology Nildo Viana – UFG RESUMO O artigo apresenta quatro das principais concepções ideológicas do mito e realiza sua crítica, visando mostrar a necessidade de uma nova conceituação e abordagem do mito. As concepções de Mircea Eliade, Claude Lévi-Strauss, Ernst Cassirer e Maurice Godelier são apresentadas e posteriormente são analisadas criticamente. Um problema comum nestas abordagens reside no formalismo e na criação de modelos que se afastam da realidade histórica e social, que é onde se pode perceber as determinações e características do mito. Palavras-chave: Mito. Ideologia. Estruturalismo. Kantismo. História das Religiões. Antropologia. ABSTRACT The paper presents four major ideological conceptions of myth and performs its critical in order to show the need for an approach to the conceptualization and myth. Te views of Mircea Eliade, Claude Lévi-Strauss, Ernst Cassirer and Maurice Godelier is presented and subsequently are analyzed critically. A common problem in these approaches lies in the formalism and the creation of models that deviate from the historical and social reality, which is where we can see the determination and characteristics of myth. Keywords: Myth. Ideology. Structuralism. Kantianism. History of Religions. Anthropology. O mito tem sido defnido e interpretado pelas mais variadas correntes e abordagens: natu- ralismo (Max Müller), animismo (Edward P. Tylor), Escola Mito e Ritual (Robertson Smith), Fun- cionalismo (Bronislaw Malinowski), antropologia flosófca (Ernst Cassirer, Leslew Kolakowski), Estruturalismo (Claude Lévi-Strauss, Roland Barthes), “Marxismo” estruturalista (Maurice Godelier), Psicanálise (Sigmund Freud, Carl Gustav Jung, Erich Fromm) e muitas outras. Seria improfícuo ana- lisar todas as correntes que buscam apresentar uma explicação do mito. Por isso, trataremos apenas das quatro abordagens que consideramos mais importantes: a história das religiões de Mircea Eliade, a antropologia flosófca de Ernst Cassirer, o estruturalismo de Claude Lévi-Strauss e o “marxismo” estruturalista de Maurice Godelier. As demais abordagens poderão aparecer no decorrer da expo- sição, seja devido sua infuência em relação às abordagens aqui analisadas ou às suas descobertas que julgamos válidas para a explicação do mito.