Seminário Internacional Fazendo Gênero 11 & 13 th Women’s Worlds Congress (Anais Eletrônicos), Florianópolis, 2017, ISSN 2179-510X AS DIVERSAS PERFORMATIVIDADES DA TESTOSTERONA RELACIONADAS À MATERIALIZAÇÃO DE MASCULINIDADES Flávia Luciana Magalhães Novais 1 Paula Sandrine Machado 2 Resumo: O presente trabalho integra uma pesquisa dissertativa mais ampla, que tem como objetivo principal compreender diferentes modulações da articulação entre testosterona e masculinidades, a partir dos múltiplos atores e redes que se formam no agenciamento de seus diversos tipos e processos de subjetivação articulados. Ou seja, pretende-se perceber as múltiplas maneiras pelas quais a testosterona é performada nessas articulações, de acordo com o modo de existência de sujeitos inscritos nas masculinidades que fazem uso da substância, seus efeitos na formação de suas subjetividades e na produção de seus corpos, considerando as diferenças de classe, escolaridade, raça e identidade de gênero que os atravessam. Parte-se da noção de Ontologias Múltiplas, de Annemarie Mol, bem como empreende-se uma análise sobre a utilização da testosterona para a materialização de corpos de sujeitos inscritos nas masculinidades, entendendo-se o uso de substâncias para produção de si, baseada em aprimoramentos que integram uma rede onde se articulam diferentes campos – tais como médico/jurídico/mercadológico –, como sendo uma característica das sociedades contemporâneas. Palavras-chave: Testosterona. Hormônio. Subjetividades. Performatividade. Introdução O seguinte paper tem como principal enfoque a discussão acerca da substância testosterona como um artefato de vida nas trajetórias de homens tanto cis como trans 33 . É fruto de uma pesquisa etnográfica, que se propõe a conhecer e analisar as múltiplas articulações da testosterona com o modo de existência desses sujeitos na formação de suas subjetividades. Encarar o hormônio 1 Mestranda do Programa de Pós Graduação em Psicologia Social e Institucional – UFRGS. Possui graduação em Serviço Social pela Universidade Federal do Maranhão – UFMA (2011) 2 Docente do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional da UFRGS. Possui graduação em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2000), mestrado em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2004) e doutorado em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2008). Porto Alegre – RS, Brasil 3 Respectivamente: pessoas que estão de acordo com o sexo assignado a elas no momento de seu nascimento e as que discordam com o gênero ao qual foram resignadas