A QUESTÃO DAS INTERAÇÕES EM AMBIENTES DIGITAIS * Aguinaldo Gomes de Souza (UFPE) 1 Resumo: Neste trabalho, temos por objetivo fazer uma retomada de algumas pesquisas anteriores feitas por nós desde o ano de 2007 até o ano de 2010, a fim de apontar possíveis alterações teóricas que corroboram para o tratamento dado por nós a respeito das interações online. Desse modo iniciamos por revisitar o conceito de gênero digital e dialogia nas interações e relações online o que nos leva a constatação de que no fazer da técnica o voltar-se-um-ao- outro é o que constitui a base da dialogia. Nessa direção verificamos também que a técnica informática no curso de seu desenvolvimento deixa em evidência muito da intersubjetividade de quem a cria, isto é verificado quando se considera que no processo de desenvolvimento de software são mobilizadas várias subjetividades que se deixam mostrar nos elementos sígnicos dos softwares. Palavras-chave: gêneros digitais, software, interação online, dialogismo 1- INTRODUÇÃO Em 2007 por ocasião do número 07 da revista Letra Magna 2 publicamos um artigo que buscava em suma delimitar a problemática dos gêneros discursivos que surgiram por ocasião da sociedade conectada. Naquele dado tempo histórico os estudos sobre o que viria a ser gêneros digitais ou como chamávamos, os gêneros virtuais, constituíam-se em um ambiente de profícuo debate acadêmico. Datado daquela época podemos citar trabalhos desenvolvidos por KOCH, (2003); RIBEIRO, (2003); COSCARELLI, (2003); XAVIER, (2002); ARAÚJO, (2006); KOMESU, (2005) entre muitos que brilhantemente contribuíram para o fazer científico e para o desvelar de um fenômeno ainda muito recente. Desde o início, quando ainda não estava claro para nós a noção de gênero digital, resolvemos que deveríamos tomar o problema dos gêneros sobre a perspectiva filosófica da teoria dialógica da linguagem, esta vista por um prisma Bakhtiniano. Isto é, considerávamos os gêneros como formas relativamente estáveis de enunciados, marcados por composição e estilo. De lá para cá muitos dos nossos posicionamentos foram revistos (e isto diga-se de passagem é um fato comum no fazer ciência) um desses posicionamentos diz respeito à terminologia utilizada por nós, no decorrer das nossas reflexões abandonamos o adjetivo * XV Encontro Virtual de Documentação em Software Livre e XII Congresso Internacional de Linguagem e Tecnologia Online 1 Mestre em Linguística pela Universidade Federal de Pernambuco onde atualmente desenvolve estudo Doutoral também em Linguística. Professor Universitário atuando na Pós-Graduação lato sensu em Linguística Aplicada. Membro do grupo de pesquisa HIPERGED-vinculado ao PPGL da Universidade Federal do Ceará e membro do grupo LINGUAGEM, SOCIEDADE, SAÚDE E TRABALHO - CNPq/UFPE, atuando na linha de pesquisa 'Linguagem e Filosofia'. Web Site: www.aguinaldogomes.com 2 SOUZA, A.G. Gêneros virtuais - algumas observações. In.: Letra Magna. Revista Eletrônica de Divulgação Científica em Língua Portuguesa, Lingüística e Literatura ISSN 1807-5193 - Ano 04 n.07 - 2º Semestre de 2007 v. 7, n. 1 (2018) VII Anais do Evidosol/Ciltec (Edição 2018) http://www.periodicos.letras.ufmg.br/index.php/anais_linguagem_tecnologia/issue/view/657