Universidade e Diversidade sob o Olhar da Representação Discente Cláudia Mayorga Joana Ziller Luciana Maria de Souza Fabíola Cristina Santos Costa Resumo O presente texto é resultado de um trabalho investigativo instituído junto às instâncias de representação discente dos cursos de graduação da UFMG. Pretendeu-se analisar como os órgãos de representação estudantil percebem e se posicionam em relação à diversidade do alunado da UFMG e, assim, identificar na conduta e postura de tais órgãos a existência de mecanismos e lógicas institucionais de exclusão, invisibilidade e/ou silenciamento, que dificultam o acesso e/ou permanência dos/as estudantes nos diferentes espaços da UFMG, sobretudo no que diz respeito à classe, gênero, raça/cor. Em uma análise preliminar, identificou-se que os órgãos de representação do corpo discente parecem não apresentar mecanismos satisfatórios de reconhecimento da diversidade dos/as alunos/as que teoricamente representam. Percebemos também que o discurso da qualidade, do mérito e da excelência acadêmica é um fator que contribui para o impedimento do avanço nas discussões sobre a democratização da Universidade. Apontamos, portanto, para a necessidade da adoção de políticas inclusivas associadas à reestruturação dos espaços acadêmicos para que esses se configurem de fato como espaços públicos e democráticos. Palavras-chave: universidade, democratização, diversidade, estudantes. Diante das profundas mudanças que sofreu a universidade pública no país nos últimos anos, não esquecendo a consonância dessas mudanças com o cenário social, faz-se hoje imprescindível, do ponto de vista de uma luta pela democratização desse espaço, repensar e discutir as conseqüências dessas mudanças no que diz respeito ao papel da universidade pública como instituição de fato para todos. É preciso, para tal, um esforço analítico para compreender em que pontos e de que forma a universidade reafirma em suas práticas exclusões de gênero, sociais e raciais, em detrimento de seu papel de instituição pública. Pretendemos, com este trabalho, levantar reflexões pertinentes a essa discussão, especialmente no que tange à representação discente. O trabalho é parte de uma pesquisa mais ampla, desenvolvida pelo Programa Conexões de Saberes na UFMG. O objetivo do Programa é aproximar a universidade pública das comunidades populares, dos movimentos sociais e melhorar as condições para a permanência bem-sucedida dos/as estudantes negros/as de origem popular. Nesse sentido, optou-se, inicialmente, por, entre outras frentes de ação, identificar e analisar os mecanismos e lógicas institucionais de exclusão, invisibilidade e/ou silenciamento que facilitam ou dificultam o acesso e/ou permanência dos/as estudantes nos diferentes espaços da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), focalizando as questões de classe, gênero, raça/cor, proposta elaborada para traçar o que se chamou de Mapa da Exclusão na UFMG. O trabalho aqui apresentado, que trata especificamente da representação discente, pretendeu investigar como tais instâncias percebem, e se percebem a diversidade do alunado da universidade e como o representam. A busca por essas informações se justifica pelo fato de que a Universidade precisa possuir mecanismos de reconhecimento da diversidade de seus/as alunos/as para permitir que tal diversidade seja contemplada em suas políticas - uma postura conservadora da Universidade nesse ponto poderia caracterizar uma forma de exclusão institucional para aqueles/as que não se encaixam no padrão do alunado da UFMG. A pesquisa apresentada neste artigo parte da delimitação de Centros Acadêmicos (CAs) ou Diretórios Acadêmicos (DAs) e Grêmios de todos os cursos da Universidade como universo. Os DAs são oficialmente a referência de representação dos/as alunos/as nas instâncias de participação política e de decisão dentro das dinâmicas de cada curso (DDCS & PROGRAD, 2007). A escolha dos membros dessas instituições é feita por meio de eleição, em que chapas se candidatam e, após um processo de campanha, os/as alunos/as de cada curso elegem os gestores do órgão de representação. Os Centros Acadêmicos, Centros de Estudos e Grêmios são “as menores unidades de representação. Eles congregam alunos de um mesmo curso e têm por finalidade promover a interação de alunos, professores e funcionários” (DDCS & PROGRAD, 2007, p. 18). Vale ressaltar que nos