[REVISTA CONTEMPORÂNEA – DOSSIÊ NUESTRA AMÉRICA] Ano 2, n° 2 | 2012, verão ISSN [2236-4846] 28 Apontamentos sobre a modernidade e seus reflexos para o Brasil do século XX * Thiago Cavaliere Mourelle ** O advento da modernidade resultou em uma série de mudanças para o homem ocidental europeu. Teve início uma nova forma de se compreender o tempo. Concomitantemente, se pretendeu fundar um novo Estado de Direito, rompendo com a tradição política e jurídica existente até então. Max Weber traduziu o mundo moderno europeu ocidental como sendo, mais do que uma nova forma de acumulação de riquezas – diante do advento do capitalismo industrial –, um novo espírito (WEBER, 2004). Hannah Arendt (1988, p. 22) mostrou o surgimento da noção de mudança no rumo da história, como algo inteiramente novo que rompe com o passado. Isso pode ser percebido através da nova noção de revolução, por exemplo, que significa o rompimento ao invés de retorno. Outro então através da aplicação de calendários revolucionários para marcar um reinício do tempo, como ocorreu durante Revolução Francesa. Na modernidade, a chamada “questão social” se misturou com a política, dando a esta uma missão primordialmente ligada à manutenção e proteção da vida humana. Para Arendt (1988), a interferência do Estado moderno, por meio da política moderna, na vida individual de cada um dos seus membros, seria sinal da decadência da política – isto é, uma mistura da bíos com a zoé, para utilizar os termos de Aristóteles (2000) 1 . Já para Foucault (2005, p. 285- 287), significou a opressão do homem pelo Estado. A América Latina, colonizada tanto politicamente como culturalmente pela Europa ocidental, sofreu influência direta do que aconteceu naquele continente. A revolução proclamada por Getúlio Vargas, em 1930, mesmo não tendo praticamente nada a ver com o * Artigo recebido em agosto de 2011 e aprovado para publicação em fevereiro de 2012. ** Doutorando em História Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e Historiador do Arquivo Nacional. 1 Brevemente, pela definição de Aristóteles, podemos diferenciar bíos e zoé da seguinte forma: zoé como mero fato de viver ou a vida biológica; e bíos compreendida no sentido de um modo de viver, ou seja, a vida política.