Este documento se trata de uma tradução não-profissional do capítulo “Cultivating Self-Compassion in Trauma Survivors”, de Christopher K. Germer e Kristin D. Neff, publicado no livro “Mindfulness-Oriented Interventions for Trauma” (2015), editado por Victoria M. Follette e colaboradores. A tradução foi realizada por Carlos Alberto Dorneles Nonnenmacher, psicólogo e psicoterapeuta. A tradução visa apenas a divulgação do conhecimento científico, da TCC e abordagens baseadas em compaixão. Qualquer consideração: carlosdornelesn@gmail.com. Mindfulness-Oriented Interventions for Trauma, capítulo 3, p. 43-58, 2015 CULTIVANDO AUTOCOMPAIXÃO EM SOBREVIVENTES DE TRAUMA Christopher K. Germer e Kristin D. Neff Quaisquer sejam as suas dificuldades – um coração devastado, perda financeira, se sentir tomado pelos conflitos ao seu redor ou uma doença aparentemente interminável – você pode sempre se lembrar que você está livre a cada momento para direcionar a bússola de seu coração às suas mais nobres intenções. - Jack Kornfield (2011) A maioria de nós se trata de maneira pouco gentil quando coisas ruins acontecem conosco. Em vez de nos oferecer a mesma simpatia e apoio que daríamos a um ente querido, tendemos a nos criticar (“Qual o seu problema?!”), nos esconder dos outros ou de nós mesmos com vergonha (“Eu sou inútil”) e ficarmos presos em nossas cabeças, tentando tirar sentido do que aconteceu conosco (“Por que eu?”). E quando coisas muito ruins acontecem, nos atacamos de duas direções diferentes, dizendo, por exemplo, “Eu sou mau, porque fui abusado” e “Eu fui abusado porque sou mau”. Se não nos anestesiamos através de dissociação, usamos drogas, álcool ou autolesão. E não importa o quanto desejamos fugir de nossas mentes e seguir nossas vidas, nos encontramos presos em uma luta com memórias intrusivas, pesadelos e flashbacks. Tais reações fazem com que nosso sofrimento persista e até mesmo se amplifique, mas elas não são nossa culpa. Elas são parte de como somos feitos (Gilbert, 2009a). Quando nos sentimos ameaçados por perigos externos, nossa sobrevivência frequentemente depende da nossa capacidade de lutar, fugir ou congelar. Mas quando somos ameaçados internamente por emoções intensas como o pavor ou a vergonha, a