Anais do IX Encontro do CELSUL Palhoça, SC, out. 2010 Universidade do Sul de Santa Catarina 1 LÉXICO MENTAL: ABORDAGENS PSICO E NEUROLINGUÍSTICAS Lucilene Bender de SOUSA * Rosângela GABRIEL ** ABSTRACT: In this paper, we investigate the different methods of mental lexicon research, their contributions and limitations. In the introduction, we define the object of study. In the first part, we indicate the methods that are usually applied to normal subjects: slips of tongue, word association method, word categorization, tips of tongue, lexical decision task and priming. In the second part, we point out the studies with aphasic subjects. In the third part, we review computational models, symbolic and connectionist. At last, we approach neuroimage techniques. In spite of research difficulties and theorical divergences about mental lexicon, we understand that some progress was made, however many questions remain. KEYWORDS: Mental lexicon; Language; Cognition; Brain; Methods. 1. Introdução O estudo do léxico é um campo interdisciplinar, sendo as principais áreas interessadas Linguística (Psicolinguística, Semântica e Pragmática, Neuropsicolinguística, Linguística Computacional, Lexicografia), Psicologia e Ciências da Computação. A denominação léxico mental é própria da Psicolinguística, tendo sido utilizada pela primeira vez por Ann Triesman em 1961 (COLTHEART, 2001). Primeiramente, o léxico mental foi concebido como sendo um estoque de conhecimento que funciona como um dicionário na mente, que permite o fácil acesso às formas escritas e orais de palavras e seus significados (LIBBEN, 2008). Outras analogias foram feitas comparando-o a uma biblioteca, à memória de um computador, etc. “Uma hipótese bem aceita propõe que o léxicon esteja organizado segundo redes semânticas” (LENT, 2001), essa parece ser a mais adequada para explicar a sua flexibilidade, extensão e organização. Entretanto, pesquisadores divergem quanto à existência de um único léxico ou léxicos separados para o processamento de diferentes aspectos da língua. Pesquisadores conexionistas como Seidenberg e McClelland defendem a existência de um único léxico, centro da linguagem, que integra todos os tipos de informação linguística (fonológica, ortográfica, sintática e semântica). O grupo de pesquisadores simbolistas, formado por Friederici e Ullman, defende a existência de sistemas diferentes, um deles responsável pelo processamento sintático e outro pelo processamento lexical, semântico e fonológico, divididos em micromódulos. Existem também posições intermediárias. Apesar das diferentes teorias e modelos divergirem quanto ao seu modo de organização e funcionamento, todos concordam com o princípio base, a existência de uma memória para o léxico no cérebro. Devido à dificuldade de acesso ao léxico mental, o estudo sobre como adquirimos e organizamos o léxico no cérebro tem sido conduzido a partir de diferentes abordagens. Neste artigo, nossa principal pergunta é como investigar o léxico mental. Sendo assim, apresentamos as principais metodologias de estudo do léxico mental, suas contribuições e * Mestranda em Letras pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) e bolsista PROSUP/CAPES. ** Doutora em Letras (Linguística) pela PUCRS. Docente pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade de Santa Cruz do Sul.