DISTRIBUIÇÃO DESIGUAL DA MORTE VIOLENTA NO TERRITÓRIO URBANO: POR UMA (RE)LEITURA DA ESCOLA CRIMINOLÓGICA DE CHICAGO NA PERSPECTIVA CRÍTICA DO DIREITO À CIDADE 1 Rodrigo Iennaco de Moraes 2 Até que ponto é possível insistir na estratégia das elites urbanas brasileiras, de produzir um cenário de modernidade ou, agora, de pós-modernidade, em uma ilha, cercada pela “não cidade”? A dimensão que a pobreza e os problemas estão atingindo é que conforma a crise desse modelo. Ermínia Maricato (As idéias fora do lugar e o lugar fora das idéias: planejamento urbano no Brasil, p. 142) RESUMO O artigo propõe uma releitura da escola criminológica de Chicago, confrontando seus postulados, na perspectiva histórica, com o processo de urbanização desigual do Brasil. A partir de pesquisa empírica baseada em dados etnográficos e acesso a documentos oficiais das instituições encarregadas da persecução criminal, investiga como se relacionam os processos excludentes de urbanização e a distribuição desigual da morte violenta na (e pela) cidade. O Estado tem sido omisso na implementação de políticas urbanas diferenciadas que priorizem a proteção da vida da população vulnerável, desprovida do direito à cidade. Por fim, conclui que uma “criminologia urbanística” pode contribuir para fomentar a mudança das matrizes do planejamento urbano, paralelamente aos processos de mudança que se pretendem implementar sob influências ideológicas que permeiam os conflitos políticos, especialmente na área criminal, em favor de uma cidade mais inclusiva, plural e democrática. Palavras-chave: Direito à cidade Criminologia – Escola de Chicago – urbanização desigual – homicídios – vitimização desigual RESUME This paper proposes a re-reading of the Chicago school of criminology by opposing their postulates, in an historical perspective, to the Brazilian unequal urbanization process. Through empirical research based on ethnographic data and official documents of institutions in charge 1 Trabalho de conclusão da disciplina Direto Ambiental: Direito à Cidade, ministrada pelo Prof. Dr. Daniel Gaio, no programa de pós-graduação em Direito da Universidade Federal de Minas Gerais. 2 Mestre em Ciências Penais e Doutorando em Direito Penal na Universidade Federal de Minas Gerais.