18/04/2020 Literatura na quarentena: Peter Handke - A TERRA É REDONDA https://aterraeredonda.com.br/literatura-na-quarentena-peter-handke/ 1/13 Literatura na quarentena: Peter Handke Imagem_Elyeser Szturm Comentário sobre a obra teatral, do escritor austríaco, vencedor do Nobel de literatura em 2019 Por Artur Kon* Enquanto urgências se acumulam, se sobrepõem e se potencializam mutuamente, parecetolo seguir com a análise de textos literários que nada têm a dizer diretamente sobre a situação. Mesmo assim, podemos observar que neste contexto – e na verdade a partir dele – não pouco é falado sobre o papel que a arte, contradizendo seus censores e detratores (os atuais detentores do poder), pode ou deve ter no enfrentamento das adversidades crescentes. Em meio à pandemia, a arte se torna um modo de lidar com o isolamento, seja como valioso passatempo (elevado ao status de item indispensável para a manutenção da saúde mental: a “arte como respiro”, como colocou o Instituto Cultural do Banco Itaú), seja como elemento de formação cultural, capaz de tornar rico e produtivo o tempo morto da quarentena para quem souber aproveitá-lo (somos instados a parar, mas sem deixar de produzir). Num momento anterior, quando enfrentávamos “apenas” o avanço violento da extrema direita, manifestações artísticas eram apontadas como espaços para a sobrevivência de sujeitos dissidentes ou discursos antifascistas. Entre entretenimento e artivismo, patrimônio civilizacional e oposição crítica, abundam modos de ver as artes com bons olhos, contra aqueles que ainda insistem em acusá-las como exercícios narcísicos inúteis, portanto indignos de tempo, atenção e (sobretudo) de investimentos públicos. Resta saber se, em meio a tantos modos de justicar a existência da atividade artística, atribuindo-lhe funções e capacidades que fazem com que a arte não seja apenas arte, sobra espaço para alguma compreensão de qual seria o sentido e a potência da arte enquanto arte,