Anais 5º CBIM 2019 27 Transversalidades em construção Palestra 2 Cultura musical e hibridismo identitário na Apúlia: diálogos e encontros de tradições ceramológicas, iconográfcas e organológicas Fábio Vergara Cerqueira 1 Universidade Federal de Pelotas Introdução Nosso objetivo aqui será apresentar um estudo de aspectos iconográfcos da cerâmica italiota de fguras vermelhas, técnica oriunda da Ática e introduzida no sul da Itália pouco depois da metade do quinto século e produzida na Apúlia entre 440 a.C. e 270 a.C. Observaremos particularmente a representação de instrumentos musicais, de modo a evidenciar o complexo processo de hibridização que ocorreu no contexto da colonização grega no Sul da Itália, como resultado de relações interculturais em que se processaram e se transformaram tradições culturais helenizantes, orientalizantes e indígenas, verifcadas nas esferas da ceramologia, da iconografa e da organologia. O estudo se foca na região da Apúlia, situada na porção sudeste da Península itálica, onde se localizava, no litoral do Mar Jônico, a importante fundação espartana de Tarento, que no século IV ocupou lugar de destaque na política, flosofa, economia, cultura e produção cerâmica. A região da Apúlia se dividia, no século IV e III, em três micro-regiões: a Messápia, na Península do Salento, a Peucécia, na média Apúlia, e, mais ao norte, a Dáunia – apesar de suas peculiaridades, os nativos destas três regiões tinham em comum a forte infuência ilíria recebida em período recuado, o que se refetia na origem da língua local. Os nativos, por sua vez, mesmo durante o período em que se destacavam as cidades coloniais gregas no Sul da Itália, praticaram intenso comércio com a Hélade, com os coríntios nos séculos sétimo e sexto, e com os atenienses nos sécu- 1 Professor Titular do Departamento de História da Universidade Federal de Pelotas. Pesquisador CNPq - PQ1d. Humboldt-Foundation Fellow. Pesquisador Visitante no Instituto de Arqueologia Clásssica da Universidade de Heidelberg. Pesquisador associado ao Programa de Pós- Graduação em História Comparada da UFRJ – Programa de Pós-Doutorado Institucional. Pesquisa fnanciada com apoio da CAPES, CNPq e Fundação Humboldt.