periodicos.ufsm.br/fragmentum ISSN: 1519-9894 / e-ISSN: 2179-2194 Fragmentum, Santa Maria, v. 54, p. 261-276, jul./dez. 2019 Submissão: 30/07/2019 Aprovação: 17/11/2019 DOI: https://doi.org/10.5902/2179219439321 ENCONTROS EM AD: ENTRE MEMÓRIAS E EFEITOS DE LEITURA ADORNO, G. et al. (Orgs.). Encontros na Análise de Discurso: efeitos de sentidos entre continentes. Campinas: Editora da Unicamp, 2019. Iago Moura Melo Universidade Estadual de Santa Cruz, UESC, Ilhéus, BA, Brasil Raphael de Morais Trajano Faculdade de Letras da Fundação Técnico-Educacional Souza Marques, Rio de Janeiro, RJ, Brasil O conjunto não-homogêneo de textos organizados sob o título Encontros na análise de discurso (doravante Encontros) resulta de um trabalho teórico de enorme densidade, entusiasmo e acuidade, em que se engaja o Coletivo de trabalho: discurso e transformação (Contradit). Trata-se do primeiro projeto subscrito pelo Contradit enquanto coletivo, antecedido por muitos outros trabalhos cuja circulação costumava ser menos abrangente, tais como a organização de simpósios temáticos em eventos, publicação de artigos em periódicos qualifcados, encontros presenciais e não presenciais, estes últimos realizados nos domínios do digital, com vistas à realização de um trabalho que indistingue teoria e prática, no qual a teoria é tomada como lugar de agitação no histórico modo de constituição, formulação e circulação dos discursos (em que se destacam, entre outros, os discursos científco e acadêmico). O processo de produção editorial, entretanto, falha pelo apagamento de parte dos organizadores quando de sua impressão ofcial – além da ausência da rubrica do coletivo já na capa do livro – sob, talvez, o atomismo injustifcado de que apenas “indivíduos” poderiam ser “reconhecidos” como organizadores. Podemos, assim, pensar em como é próprio ao capitalismo disjungir causa motriz e causa fnal, inclusive, em se tratando de um tipo de trabalho a que insistimos, em coro a Althusser, denominar “teórico”. Nessa linha, a dita falha sintomatiza o quanto ainda precisamos suspeitar de nossas práticas de escrita 1 , sobretudo quando tais implicam num 1 A utilização da primeira pessoa ao longo desta resenha estabelece relação de implicação epis-