1 Espingardas e espingardeiros alemães nos Arsenais Reais nacionais – 1806/1814 Sérgio Veludo Coelho 1 Introdução A actividade do Arsenal Real do Exército durante os anos de 1807 a 1814 foi, apesar da breve interrupção imposta por Junot em 1807, intensa e não isenta de grandes problemas em termos de produção, face ao seu atraso tecnológico e à necessidade constante de se racionalizar e gerir um dos maiores contingentes de trabalhadores do país, mas que em muitos casos já tinham uma avançada idade. O Arsenal Real do Exército teria, certamente, a capacidade de assegurar a logística e manutenção do material de guerra do Exército Português em tempo de paz, mas toda a documentação levantada e analisada neste trabalho apontou para uma necessidade permanente de importar o que de mais importante havia para a capacidade operacional das tropas, sobretudo a Infantaria. Os antecedentes – do Roussillon à Guerra das Laranjas Pouco após a Campanha do Roussillon e logo a seguir à Guerra das Laranjas, Portugal teve a necessidade de importar grandes quantidades de armamento ligeiro. No final do século XVIII, o Governo tinha que recorrer a importações da Inglaterra para armar o exército e as suas reservas e mesmo recorrer à importação de pólvoras e munições. Tomemos como exemplo uma carta de 8 de Maio de 1802, em que Charles Neville, Tenente Coronel da Real Artilharia britânica, em ofício para o Tenente General Fraser, solicitava que recordasse à Secretaria de Estado do “Departamento de Guerra”, em Londres, sobre as armas e pólvora que o Governo Português tencionava adquirir ao Governo Inglês e que deveriam ser entregues ao Real Arsenal do Exército. Também foi referida a necessidade de conferir as listagens dos materiais e os recibos de pagamento, que deveriam ser efectuados em Inglaterra. Era, igualmente, referido que as 1 Doutorado em História. Professor Adjunto da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto. Prémio de Defesa Nacional 2009 (CPHM)