V.2 N.2 AGO. 2014 - TRADUÇÕES 164 O PAPEL DA ESTÉTICA NOS ESTUDOS CULTURAIS 63 Rita Felski 64 Tradução: Joana d’Arc Martins Pupo 65 Criticar os estudos culturais é um passatempo popular. Enquanto os críticos frequentemente menosprezam o campo como mero modismo, hoje em dia, ataques aos Estudos Culturais é que estão altamente na moda. Mas quais Estudos Culturais? Tenho um palpite de que ‘Estudos Culturais’ superou ‘Pós-modernismo’ como um dos termos mais mal utilizados na vida intelectual contemporânea. Em uma recente enxurrada de epítetos, elegias, e queixas sobre o que está acontecendo com as ciências humanas, os estudos culturais desempenham o papel principal como vilão e bode expiatório. Há bem poucos anos, os estudos culturais eram um campo obscuro que poucos acadêmicos norte-americanos conheciam ou se importavam com ele. Hoje, parece, todo mundo sabe sobre os estudos culturais. Mas o que exatamente eles sabem? Neste capítulo, discuto algumas queixas recentes sobre os estudos culturais que emanam dos departamentos de literatura. Duas ideias vêm à tona nestes argumentos. A primeira é que os estudos culturais declararam guerra à arte e à estética. São o inimigo implacável de toda a conversa sobre beleza e prazer, estilo e forma. Os críticos culturais acreditam que tais termos não são nada mais do que balbucios mistificadores que nos distraem das regras coercitivas das hierarquias do gosto. Em seu zelo nivelador, eles querem reduzir o texto ao contexto, a poesia à propaganda, as obras de arte a massas de textos despejadas por uma máquina de ideologia onipresente. A segunda ideia é que esta antiestética tornou-se a nova norma. Os praticantes dos estudos culturais invadiram e montaram acampamento 63 Este artigo inédito foi gentilmente cedido pela autora para tradução e publicação na Revista Discente Sociologias Plurais. 64 Professora do Departamento de Inglês na University of Virginia, e editora de New Literary History. Rita Felski é eminente estudiosa nos campos da estética e teoria literária, teoria feminista, modernidade e pós-modernidade, e dos estudos culturais. É autora de Beyond Feminist Aesthetics: Feminist Literature and Social Change (Harvard UP, 1989), The Gender of Modernity (Harvard UP, 1995), Doing Time: Feminist Theory and Postmodern Culture (New York UP, 2000), and Literature After Feminism (Chicago UP, 2003). 65 Tradutora: Professora Assistente – Universidade Estadual de Ponta Grossa, Ponta Grossa, Brasil. Doutoranda no Programa de Pós-graduação em Sociologia.- Universidade Federal do Paraná.