Intercom Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXXIX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação São Paulo - SP 05 a 09/09/2016 1 Imagens do Deslocamento: A Estrangeiridade no Cinema de Suzana Amaral 1 Anderson BARRETTO 2 Universidade Federal de Pernambuco, Recife, PE Resumo O artigo pretende discutir e analisar a maneira como as imagens são construídas no cinema, no que tange a presença e a representação de personagens que expressam de algum modo a Estrangeiridade. Para isso, foi utilizado o conceito elucidado por Kristeva (1994), em que o ser estrangeiro é aquele que está em constante deslocamento, e independe de local de nascimento ou posição geográfica, trata-se de um estado permanente de espírito, comportamento e modo de sentir-se ou não no mundo. Partindo da Literatura como solo fértil para personagens estrangeiros, nesse sentido de estrangeiridade, bem como de suas transmutações para o cinema, o corpus de análise foi constituído pelas obras cinematográficas da realizadora brasileira Suzana Amaral: A Hora da Estrela (1985), Uma Vida em Segredo (2001) e Hotel Atlântico (2009). Palavras-chave: Cinema Brasileiro; Estrangeiridade; Estética do Cinema; Suzana Amaral; Análise Fílmica. O Ser Estrangeiro e a Estrangeiridade O estrangeiro é uma ideia que transpassa a noção usual de meramente aquele que nasceu em outro país. E o dicionário, inclusive, não se limita a tal concisa ideia, afinal, no Aurélio, o verbete estrangeiro, significa: “aquele que é de outro país, proveniente ou pertencente a outra região, forasteiro, ádvena, estranho(AURÉLIO, 2002). Há muito o que ver nas entrelinhas dessa descrição. Inicialmente, há a noção do estrangeiro como algo ou alguém originado de outro país e daí já se tem a ideia de que esse algo ou alguém está submetido a leis políticas e limites geográficos. Em segundo lugar, há a ideia do pertencimento o que nos remete a outra conceituação, desta vez, do verbo pertencer, e assim cabe a pergunta: o que significa pertencer? Da Matemática, herdamos a ideia de que um elemento pertence ou não a um determinado conjunto, porém, o que o caracteriza como pertencente ou não ao conjunto? Que características há no elemento para que ele seja percebido como algo comum aos demais elementos de um conjunto, por exemplo ou mesmo como algo que destoa, que o faz diferente dos outros e, portanto, estranho? 1 Trabalho apresentado no GP Cinema do XVI Encontro dos Grupos de Pesquisa em Comunicação, evento componente do XXXIX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. 2 Mestre em Comunicação pelo Programa de Pós-graduação em Comunicação da UFPE, email: andersonpbarretto@gmail.com.