DOI: http://dx.doi.org/10.1590/0100-85872020v40n1cap04 Da minoria silenciosaà maioria moral: transformações nas relações entre religião e política no funDamentalismo norte-americano na DécaDa De 1970 Daniel Rocha Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais Belo Horizonte – MG – Brasil Orcid: https://orcid.org/0000-0001-6813-2024 Introdução A década de 1970 presenciou um movimento de profundas transformações nos discursos e práticas de lideranças fundamentalistas norte-americanas em relação ao papel dos cristãos na sociedade e, mais especificamente, na política. No começo dos anos 1980, Pat Robertson, conhecido pastor e televangelista, conclamava a sua audiência a imaginar “uma sociedade onde os membros da Igreja têm domínio sobre as forças do mundo, onde o poder de Satanás é amarrado pelo povo de Deus […] e o povo de Deus será o povo mais honrado na sociedade”. Ciente das implicações esca- tológicas de tal fala, Robertson dizia: “Vocês podem dizer que esta é uma descrição do Milênio quando Jesus voltar […] mas tais coisas podem ocorrer agora, neste tempo” (apud O’Leary 1998:185) 1 . Tal tipo de discurso certamente causaria estranheza no meio fundamentalista da virada da década de 1960 para a de 1970. Os anos 1970 começaram com o sucesso de vendas de livros como The Late Great Planet Earth, de Hal Lindsey, que falava, numa perspectiva pré-milenarista bem característica do fun- damentalismo, da iminência do fim dos tempos e da degradação moral dos Estados Unidos como um sinal claro da iminência da volta de Cristo para, aí sim, dar início a