Capítulo 7 Novos media e gerações Pensar as veredas da literacia Tiago Lapa e Branco di Fátima Introdução Qual a influência do fator etário na aquisição de competências ou literacias dos novos media? Divisões geracionais estanques poderiam moldar a forma como diferentes po- pulações estão a relacionar-se com a internet? Existem outros índices ou variáveis que ajudam a explicar como indivíduos mais jovens e mais velhos lidam com as inova- ções? Qual o peso da autonomia nas escolhas de utilizar ou não uma tecnologia infor- macional? Segundo Tapscott (1998) e Prensky (2001), há uma fratura geracional clara, com base em socializações diferenciadas em paisagens mediáticas díspares. Essa pers- petiva destaca que as aptidões parecem ser intuitiva e informalmente adquiridas por indivíduos mais jovens, os “nativos digitais” (Prensky, 2001), como a exploração das conexões entre meios de comunicação e manipulação de vários recursos de media. Pais e educadores podem apenas aspirar a serem “imigrantes digitais” (Prensky, 2001), pois foram socializados na linguagem ultrapassada da era pré-digital. Contudo, auto- res como Buckingham (2006) são cautelosos com essas premissas que desenham uma linha clara entre as gerações essencialmente com base na socialização em contextos mediáticos diferenciados. Assim, defendem que os significados e a utilização das no- vas tecnologias se modificam segundo uma série de indicadores, muito além do fator etário, como o rendimento, a escolaridade ou o simples interesse pela inovação. As ideias de Tapscott e Prensky reproduzem uma versão suave do determinis- mo tecnológico, definindo os limites de uma geração, essencialmente, pela sua relação com uma tecnologia. Assumem os media como elementos de socialização centrais nas sociedades contemporâneas e parecem remeter para segundo plano a influência de outras instituições. Ora, acredita Buckingham (2006), marcar as fron- teiras de uma geração é tarefa muito mais intrincada do que simplesmente defini-la através do seu relacionamento com uma inovação ou meio tecnológico de comunica- ção. Além de incluir no modelo de análise variáveis como o acesso, o próprio estudo da domesticação dos novos media pode levar em conta as tipologias de utilização (emprego utilitário ou formas de entretenimento) e os modos de incorporação tecno- lógica na vida quotidiana. 125