221 Como a teoria queer pode contribuir para a clínica das transexualidades? Mariana Pombo 1 Resumo O objetivo deste trabalho é trazer contribuições da teoria queer que nos forneçam pistas e ferramentas para uma clínica psicanalítica das transexualidades que, em vez de reforçar a norma binária de sexo e de gênero vigente em nossa cultura, possibilite aos pacientes a cria- ção de percursos subjetivos singulares e criativos. Se, como nos ensina Foucault e também Butler, não é possível sairmos de um sistema normativo, a aposta aqui é que possamos ao menos transformar as normas no sentido do acolhimento e em oposição às violências e ex- clusões. Abordarei dois pontos de aliança que considero possíveis e importantes entre a teoria queer e a psicanálise: a desconstrução social do sexo e do gênero, e a postura anti-identitária. O primeiro aponta para a importância de colocarmos em questão as categorias e teorias da psicanálise tidas como ahistóricas e imutáveis. O segundo nos conduz à problematização de impasses e tensões que as categorias identitárias colocam para a clínica e para a afirmação das diferenças. Aqui atentarei para o fato de que a postura anti-identitária sustentada pela teoria queer se revela - e é reconhecida por ela própria como - uma questão extremamente complexa, na medida em que o não reconhecimento de determinadas identidades pode causar sofrimento e legitimar atitudes discriminatórias e violentas. Para realizar esta empreitada, serão reunidas e articuladas algumas ideias dos autores Judith Butler, Paul B. Preciado e Be- renice Bento. Palavras-chave: Teoria queer; psicanálise; transexualidades; clínica; identidade. 1 Mariana Pombo possui graduação em Psicologia (UFRJ, 2012) e em Comunicação Social (UFRJ, 2007), mestrado em Comunicação e Cultura (UFRJ, 2011) e doutorado em Teoria Psicanalítica (UFRJ, 2016, com período sanduíche na Université Paris 7). É psicanalista e atualmente bolsista de pós-doutorado 10 da FA- PERJ, sob supervisão de Joel Birman no Programa de Pós-Graduação em Teoria Psicanalítica da UFRJ; marifpombo@gmail.com