1 Ensino e pesquisa de fabricação digital em cursos de arquitetura: uma reflexão crítica EKERMAN, Sergio K. Prof. Me., Faculdade de Arquitetura da UFBA, sekerman@ufba.br RESUMO Qual a influência das ferramentas de fabricação digital e que papel podem desempenhar no ensino e prática da arquitetura e construção atualmente? E que desdobramentos específicos podem ser esperados para países como o Brasil? A partir da observação de experiências de ensino e pesquisa em importantes instituições universitárias americanas, procuramos construir neste artigo uma avaliação crítica sobre o tema da fabricação digital e seu papel no âmbito da arquitetura e construção, sobretudo do ponto de vista acadêmico. Para isto, utilizamos como base ampla revisão bibliográfica, entrevistas e atividades de campo realizadas para pesquisa de doutorado em estágio de conclusão e que objetiva, dentre outros, identificar novos rumos de desenvolvimento e aplicação para tecnologias de pré-fabricação e industrialização da arquitetura na transformação de bairros populares em cidades brasileiras. PALAVRAS-CHAVE: fabricação digital, pré-fabricação, ensino. “Está surgindo um novo método de fabricação, isto é, de funcionamento: esse novo homem, o funcionário, está unido aos aparelhos por meio de milhares de fios, alguns deles invisíveis: aonde quer que vá, ou onde quer que esteja leva consigo os aparelhos (ou é levado por eles) e tudo o que faz ou sofre pode ser interpretado como uma função de um aparelho”. Villém Flusser, "A Fábrica", 1995 (FLUSSER, 1999) 1 INTRODUÇÃO Embora bastante presente no Brasil desde os anos 60 (KOURY, 2005), a discussão sobre industrialização da construção no país persiste, como em outras partes do mundo, ganhando novos contornos graças às tecnologias de fabricação digital em desenvolvimento na área de arquitetura e urbanismo (SCHODEK et al., 2003, DEAMER; BERNSTEIN, 2010). Enquanto alguns autores se expressam num tom mais otimista acerca destas mudanças e respectivos impactos nos processos de concepção da arquitetura e sua passagem à obra construída (BEORKREM, 2013; CELANI; PUPO, 2008; DUNN, 2012; KIERAN, 2004), outros estabelecem posicionamento mais conservador , apresentando critérios e cenários específicos para definir as fronteiras desta tecnologia e seus potenciais para o futuro da arquitetura e construção (BECHTHOLD, 2010; CANEPARO, 2014; KOLAREVIC, 2003). Numa outra ponta, é ainda possível observar teóricos cujos escritos são eminentemente críticos às ferramentas digitais de concepção e construção da arquitetura, tal qual Kenneth Frampton, que