DOMÍNIOS DE LINGU@GEM Revista Eletrônica de Lingüística (www.dominiosdelinguagem.org.br) Ano 2, nº 1 – 1º Semestre de 2008 – ISSN 1980-5799 LETRAMENTO E MÚSICA: UMA VISÃO CRITICA E REFLEXIVA DENTRO DAS ESCOLAS DE EDUCAÇÃO INFANTIL DE MONTE SANTO DE MINAS Priscila Maria Paulino Luciane de Paula RESUMO: Este artigo é resultado da pesquisa de iniciação científica desenvolvida no UNIFEG e teve como objetivo analisar as músicas denominadas “rotineiras” das escolas de Educação Infantil de Monte Santo de Minas. Tentamos comprovar como a música veiculada na escola, por meio do seu discurso, pode colaborar ou não para a perpetuação do ethos capitalista. Apresentada de maneira lúdica na escola, a música caracteriza-se como discurso e, como tal, transmite uma “ideologia” implícita. Com isso, imputa, nas crianças, “uma nova ordem”, que formam e en-formam sentimentos e atitudes que, na maioria das vezes, tem o objetivo de controle. PALAVRAS-CHAVE: Discurso; ideologia; música; educação; criança. Empenhar-se em algo que nos satisfaz, nos faz sentir pessoas úteis perante uma visão mundana invertida, o que pode ser denominado sentimento de vida caótica. Não podemos utilizar esse termo literalmente, mas podemos poetizá-lo. Viver caoticamente é viver em desaceleração aos moldes sociais prescritos. Desarraigar-nos de conceitos e atitudes e rebelarmo-nos como crianças insatisfeitas com um presente. Presente esse que foi dado sem menor sentido, mas que somos induzidos a gostar, sem ao menos questionar. É sob a perspectiva dessa pequena explanação que tentamos encaminhar nossa “batalha” acadêmica, artística e científica. Nesse desafio, tivemos algumas armas que foram, indiscutivelmente, inerentes ao combate do “senso comum”. A começar, a palavra. Sem ela, não poderíamos sequer pensar. Imersos num mundo lingüístico, ficaria impossível não a utilizamos para estabelecermos relações convidativas ao próximo. Rousseau (1998:9), numa discussão sobre a linguagem diz: “A palavra distingue os homens dentre os animais: a linguagem distingue as nações entre si..., por meio do qual se entrecruzam dois sistemas diferentes de oposição: um, circunscreve o lugar do homem [diferença que separa o Aluna-pesquisadora do Programa de Iniciação Científica (PIC) do curso de Letras do UNIFEG. Mestre e doutoranda em Lingüística, pela UNESP – Araraquara. Orientadora da pesquisa e professora dos cursos de Letras e Direito do UNIFEG.