-1- PERSPECTIVAS DO PROCESSO DE BOLONHA: O PROJETO TUNING AMÉRICA LATINA Tatiana Carence Martins 1 RESUMO: O presente estudo analisa algumas das influências do Processo de Bolonha nas políticas de educação superior no âmbito da América Latina, a partir da abordagem do Projeto Tuning América Latina, investigando como que este reflete a lógica da pedagogia das competências e questiona a função da universidade diante da sociedade. O método adotado é o da pesquisa bibliográfica e documental, de abordagem qualitativa. Amplamente, a pesquisa considera a atual fase do capitalismo, nomeada de acumulação flexível, e a relação da educação superior com a noção de sociedade do conhecimento. O Processo de Bolonha, neste contexto, surgiu como política pública inserido na União Europeia, tendo como objetivo fim a ampliação da vantagem competitiva do bloco em termos de educação superior e a internacionalização de seu modus operandi. Como exemplo, verifica-se o Projeto Tuning aplicado à América Latina, que buscando alinhamento às orientações de Bolonha, agiu como metodologia para compatibilizar e comparar as formações universitárias, com vistas à transnacionalização dos currículos e da formação de mão-de-obra em nível mundial. PALAVRAS-CHAVE: Projeto Tuning América Latina. Pedagogia das competências. Processo de Bolonha. Universidade latino-americana. SOCIEDADE ATUAL E EDUCAÇÃO SUPERIOR Geralmente sendo discutida no âmbito das políticas sociais, a educação está ligada à ideia de desenvolvimento no imaginário social e, no que diz respeito à educação superior, esta tendência é acentuada. Tendo como pano de fundo a crise na contemporaneidade que atinge indivíduo e sociedade no século XX, perpetuando-se até os dias atuais e, como resultante da constatação da falência do Estado de Bem-Estar Social, assim como o surgimento de planos e orientações de organismos internacionais, como o Banco Mundial (BM) e a Organização Mundial do Comércio (OMC), a sociedade entrou em uma era da contemporaneidade, das tecnologias, da supervalorização da informação e, finalmente, da incerteza, da fluidez das relações humanas: Aplaudida por uns, que a idealizam como a nova utopia dos cosmopolitas e vêem satisfeitas grande parte das suas aspirações, odiada por outros, que sentem na pele os efeitos nefastos de tal processo, o que se verifica é que a globalização não tem tido o mesmo alcance, nem tem avançado ao mesmo ritmo, tanto ao nível das diversas regiões do mundo quanto das distintas vertentes que integra. Boaventura Santos (2002, p. 33) identifica-a como “um vasto e imenso campo de conflitos entre 1 Mestranda em Integração da América Latina pela Universidade de São Paulo (USP) e Técnica em Assuntos Educacionais no Instituto Federal do Paraná (IFPR). E-mail: tatiana.martins@usp.br.