22 temas de economia aplicada junho de 2020 Estimação de Prêmio de Risco de Mercado em Economias Emer- gentes Elias Cavalcante-Filho (*) Rodrigo De-Losso (**) Joelson O. Sampaio (***) José Carlos S. Santos (****) 1 Introdução Este artigo analisa a estimação do prêmio de risco de mercado ( equity premium ) para economias com características típicas de mercados emergentes. O artigo evidencia que a falta de robustez nas estimações do parâmetro não é incomum, mesmo em economias maduras e com abundância de dados como os Estados Unidos. Isso decorre devido à alta volatili- dade típica dos dados financeiros. Conclui-se que para garantir ro- bustez aos resultados relaciona- dos à estimativa de prêmio de risco, é necessária uma amostra de aproximadamente 40 anos. Adicionalmente, explora-se a premissa implícita na prática de mercado de considerar equi- valência do prêmio de risco dos Estados Unidos com outras eco- nomias (DA mODArAn, 2016), a qual consiste em supor igualdade no produto entre variância do ex- cesso de retorno de mercado e co- eficiente de aversão a risco. Como testes estatísticos não indicam desigualdade entre os desvios- -padrão do excesso de retorno entre países, e, alinhado ao en- tendimento de que o parâmetro de aversão a risco é fixo no tempo e semelhante entre países (GAn- DElmAn; HErnÁnDEZ-mUrIl- lO, 2014), reforçamos a validade dessa prática de mercado. Segundo Siegel (1992), o retor- no de ações no mercado norte- -americano excedeu outros in- vestimentos como renda fixa, ouro e commodities, no período de 1802 a 1990. Uma das vantagens desse estudo foi a utilização de uma longa série de dados finan- ceiros para os Estados Unidos. Outros estudos, como Jorion e Goetzmann (1999), têm contri- buído com essa literatura. Eles realizaram análises similares, comparando o prêmio de risco de mercado em diferentes países. Uma parte dos resultados encon- trados por eles mostrou-se incon- sistente com o que era esperado pela teoria de finanças. Um dos motivos mais relevantes dessas inconsistências, principalmente em mercados emergentes, é a falta de séries de dados financei- ros longas o suficiente. nesse contexto, o presente estu- do adotou a economia brasileira como referência para falta de robustez nos resultados porque, embora seja uma economia re- levante em um contexto global, os resultados relacionados à es- timação do seu prêmio de risco são bem problemáticos. no en- tanto, as conclusões apresentadas podem ser estendidas a qualquer economia com características se- melhantes. O artigo tem como foco a análise de prêmio de risco do mercado necessário à estimação do mo- delo CAPm. nesse contexto, não são explorados outros fatores de risco, tais como tamanho, valor e momentum propostos por e Fama e French (1992, 1993) e Carhart (1997), respectivamente. Além disso, não é recomendada a in- clusão de outros prêmios de risco sem que se saiba, teorica ou em- piricamente, se eles são, de fato, relevantes para a formação do re- torno esperado. Por fim, para dis- cussão de modelos fatoriais mais complexos e metodologias mais