             ! "#$ %! &’’(  )*% 111 IMAGENS DA ÁFRICA: a literatura de Joseph Conrad e seus usos na filosofia política de Hannah Arendt. Álvaro Ribeiro Regiani 1 Kênia Érica Gusmão Medeiros 2 Resumo: Ao escrever O coração das trevas (1902) Joseph Conrad construiu uma imagem da África sob o domínio imperialista nos oitocentos que infelizmente ainda persiste na atualidade. As estratégias narrativas de Conrad em representar os africanos como primitivos tinha o intuito de demonstrar o “inumano” para a civilização européia. Como outras, esta obra, exemplifica o pensamento racial que legitimou o imperialismo, mesmo esta sendo precursora na crítica ao neocolonialismo. Conrad, como exemplo de narrador escondido em seu narrador (Marlow), optou por abordar o Congo Belga como um lugar habitado por homens e mulheres que se relacionavam e se representavam apenas por meio de uma linguagem primitiva, o que infere a ideia de uma África apolítica e a-histórica. A recepção de Coração das trevas pode ser evidenciada no livro Origens do Totalitarismo (1951) da filósofa Hannah Arendt. Segundo ela, Conrad iluminou suas ideias sobre o pensamento racial antes do racismo ao descrever a fragilidade das instituições políticas, a condição de pré-história e a linguagem dos africanos que “atemorizavam e envergonhavam a humanidade do homem europeu”. Para Arendt o colonialismo foi um dos elementos de cristalização do Holocausto. Contudo, o imperialismo alemão no continente não teve mais dos que alguns parágrafos em suas considerações. Ao comparar o livro de Conrad e a recepção de Arendt, observou-se a persistência de uma imagem da África, própria dos novecentos. O que carece de uma compreensão e uma re- avaliação da mesma. Palavras-Chave: Joseph Conrad. Hannah Arendt. Literatura. Filosofia. Racismo. IMAGES OF AFRICA: the literature of Joseph Conrad and the uses in Hannah Arendt's political philosophy. Abstract: Joseph Conrad’s The Heart of Darkness (1902) constructed an image of Africa under imperialist rule in the eight hundred unfortunately persists today. Conrad's strategies representing Africans as primitive were intended to demonstrate the “inhuman” for European civilization. Like others, this novel exemplifies the racial thinking that legitimized imperialism, even being a precursor in the critique of neo-colonialism. Conrad, as an example of a narrator hidden in his narrator (Marlow), chose to approach the Belgian Congo as a place inhabited by men and women who related and represented themselves only through primitive 1 Especialista em filosofia. Universidade Estadual de Goiás. E-mail: alvaroregiani2@gmail.com 2 Mestre em história. Instituto Federal Goiano. E-mail: keniaerica.gm@gmail.com