Desfazendo Mitos e Mentiras Sobre Línguas de Sinais Renê Forster 1 Resumo: Este artigo apresenta uma das cartilhas desenvolvidas pelo Programa Surdez com informações sobre a LIBRAS e as línguas de sinais em geral. São abordadas no texto as motivações para a confecção deste material, bem como é apresentada a cartilha em questão, que leva o título de Desfazendo Mitos e Mentiras Sobre Línguas de Sinais. Nesta apresentação, são retomados alguns dos temas abordados pela cartilha, como a idéia de que as línguas de sinais seriam gestos imitativos, a de que existiria uma língua de sinais universal e a de que a LIBRAS atrapalharia a oralização. Falamos também sobre e a idade ideal para a aquisição de uma língua de sinais. Ao final, fica demonstrado que muitas das idéias correntes sobre as línguas de sinais são apenas mitos. 1) Introdução A falta de informação sobre a natureza das línguas de sinais é fruto de um preconceito comumente associado a elas. Uma prova disso está na repressão já feita a estas línguas em alguns momentos do passado. Ainda hoje esse preconceito persiste. Não é raro ouvir dizer que as línguas de sinais não são línguas, mas uma linguagem ou algo afim. Este preconceito acontece até mesmo em locais privilegiados para o debate sobre este tipo de assunto, como as faculdades de Letras. Mas, pior que preconceito, a falta de informação, às vezes, é causa de deficiências lingüísticas que poderiam ser evitadas se os responsáveis por crianças surdas simplesmente soubessem o quanto é importante dar a elas condições de adquirir uma língua de sinais. Diante disto, o Programa Surdez, que funciona na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), vinculado do Departamento de Estudos da Linguagem, promoveu a elaboração de duas cartilhas em formato de folder falando sobre aspectos importantes das línguas de sinais, com o intuito de fornecer informações que possam, não só mostrar o quanto infundado é o preconceito contra as línguas de sinais, mas também fornecer informações importantes para os responsáveis por crianças surdas. Estas cartilhas foram elaboradas por mim e por minha colega, Daniele Kazan, com ilustrações de Clara Villarinho e sob orientação do coordenador do Programa Surdez, o Prof. Dr. Ricardo Lima. A cartilha Uma língua que se Fala com as Mãos mostra algumas das características estruturais das línguas de sinais, com atenção especial à LIBRAS, a Língua Brasileira de Sinais. O intuito é o de provar que elas são línguas como quaisquer outras e que, desta maneira, possuem propriedades estruturais análogas às apresentadas pelas línguas orais- auditivas. A outra cartilha, com o título de Desfazendo Mitos e Mentiras Sobre Línguas de 1 Bolsista de Extensão (UERJ). Orientador: Prof. Ricardo J. Lima.