O Bairro é Dois de Julho, ou, o que está em jogo no Projeto de “Humanização” de Santa Tereza? Laila Nazem Mourad Pesquisadora do Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo – PPGAU/FAUFBA, Doutora em Arquitetura e Urbanismo pela UFBA. mourad.laila7@gmail.com Glória Cecília Figueiredo Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Arquitetura da UFBA. gloriaceciliaf@gmail.com RESUMO O artigo trata do processo de gentrificação vivenciado no Bairro Dois de Julho a partir da iniciativa privada do Cluster Santa Tereza, associado ao Projeto de “humanização” do Bairro Santa Tereza, de responsabilidade da Prefeitura Municipal de Salvador. Trata-se de uma articulação privada com apoio público, concebida em tecido urbano pré-existente, que compreende a existência de um ambiente central economicamente desvalorizado, porém atraente, utilizada pelos empreendedores privados como oportunidade para fazer negócios. Há uma contradição, inconciliável, neste projeto, já que o seu discurso informa que se pretende instituir e “humanizar” o Bairro, mas de fato, busca-se inviabilizar a permanência dos moradores pobres e vulneráveis. Contudo moradores, usuários, associações comunitárias e movimentos sociais, com atuação no Bairro Dois de Julho, reagem, contestando a intervenção e abrindo possibilidades políticas para contra-racionalidades e para reversão desse processo de urbanização excludente. PALAVRAS-CHAVE: Gentrificação, Dois de Julho, Reabilitação de áreas centrais.