B1.3 (EB 064 P) - 1 / 4 EnerBiomassa’12, Seminário Energias da Biomassa / Seminar Energies from Biomass EnerBiomassa’12, Maceió, Alagoas, Brasil, 21 a 23 de Novembro 2012 / Brazil, 21-23 November, 2012 Rendimento axial da carbonização de híbridos de Eucalyptus spp. Fernando W.C. ANDRADE, Universidade Federal de Lavras- UFLA, Lavras - MG, (Brasil) andrade@posgrad.ufla.br Victor H.P. MOUTINHO, Universidade Federal do Oeste do Pará - UFOPA, Santarém - PA, (Brasil) victor.ctmadeira@gmail.com Cláudia C. CARDOSO, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz – ESALQ/USP, Piracicaba-SP, (Brasil) eng.ftal.claudiacardoso@gmail.com José O. BRITO, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz – ESALQ/USP, Piracicaba-SP, Brasil, jobrito@usp.br RESUMO Objetivou-se avaliar o rendimento em carvão a diferentes posições longitudinais no fuste comercial de dois híbridos de eucalyptus para verificar qual a porção do fuste que apresenta melhor retorno e qual o híbrido mais adequado a produção energética. Foram abatidos indivíduos de (E. camaldulensis x E. grandis) x E. urophylla e de E. urophylla x E. grandis com 6 anos de idade. Retiraram-se discos nas posições Base, DAP, 25%, 50%, 75% e 100% do fuste comercial. Os corpos de prova obtidos foram carbonizados a 400º C. O Rendimento em carvão diminuiu em direção ao topo (100%). O teor de carbono fixo tendeu a aumentar no sentido base-topo. PALAVRAS-CHAVE Rendimento; carvão; Eucalyptus spp.; variabilidade INTRODUCÃO O Brasil possui uma área aproximada de 6,5 milhões de hectares de floresta plantada, produzindo 162,6 milhões de metros cúbicos de madeira em tora e gerando, em média, 4 milhões de empregos diretos e indiretos (ABRAF, 2010; SBS, 2008). Em 2009, as espécies do gênero Eucalyptus L’Hér. representavam quase 70% da área de florestas plantadas, sendo que 20% desse total foram destinados à produção de carvão vegetal (ABRAF, 2010). A produção de carvão vegetal apresenta importância significativa ao país, o qual possui status de maior produtor e consumidor deste insumo no mundo, principalmente a indústria siderúrgica, a qual faz uso deste como termorredutor na produção de ferro-gusa, consumindo cerca de 90% da produção nacional. Com esta alta demanda as empresas deste setor estão investindo em novas tecnologias de utilização da madeira para a produção de carvão vegetal, buscando também matéria prima mais homogênea, aumentando assim o rendimento e a qualidade do produto final. A partir das técnicas de melhoramento genético é possível controlar ou minimizar os fatores que afetam a qualidade da madeira, permitindo assim o estabelecimento de florestas que atendam a determinado uso. Entretanto, as pesquisas neste sentido foram direcionadas, principalmente, à indústria de papel e celulose, visando alterações nas características químicas da madeira como a redução do teor de lignina. Contudo, pouco se encontra a respeito da qualidade da madeira produzida visando sua utilização energética, mesmo sendo o carvão vegetal uma importante fonte para a matriz energética nacional. O rendimento da matéria prima no processo de carbonização é afetado pelo sistema de carbonização e por algumas características da madeira como, por exemplo, o teor de lignina, a densidade básica, a umidade, o teor de carbono fixo e a homogeneidade no sentido radial e longitudinal, os quais devem ser levados em consideração na produção de carvão vegetal (TRUGILHO, 1995; JÚNIOR et al, 2006). Devido à sua alta variabilidade resultante de sua matéria- prima de origem, o carvão vegetal apresenta rendimento relativamente baixo por não proporcionar uma carbonização mais homogênea, alterando a qualidade do produto final e dificultando a operação em altos fornos siderúrgicos. Destarte, torna-se importante conhecer as características do carvão vegetal produzido, seu rendimento nas diferentes porções do tronco e quais as relações entre estes parâmetros, aumentando a produtividade e diminuindo desperdícios. O objetivo deste trabalho foi avaliar o rendimento axial da carbonização verificando qual posição exerce mais influencia sobre o processo. MATERIAL E MÉTODOS Material experimental No presente estudo, utilizaram-se amostras coletadas em plantações de clones de eucalipto de 6 anos instaladas no município de Capelinha - MG, na região do Alto Jequitinhonha. A área de amostragem, encontra-se entre as coordenadas geográficas de latitude 17º 41’ 38” sul, longitude 42º 31’ 07” e altitude de 1.070 m. Os híbridos de (E. camaldulensis x E. grandis) x E. urophylla e E. urophylla x E. grandis foram selecionados por serem progênies em testes, proveniente de plantios comerciais, desenvolvidos pelo programa de melhoramento genético e produção de híbridos de uma empresa siderúrgica. Abateram-se 3 (três) árvores para cada híbrido estudado, selecionadas por meio de suas características de crescimento, visando a coleta de material para a realização das análises energéticas. Após o abate das árvores, foram seccionados discos do lenho (15cm, espessura), em seis alturas a citar (base, DAP (diâmetro a altura do peito), 25, 50, 75 e 100%) do tronco comercial e, em seguida, envolvidos em filmes plásticos para a manutenção da umidade. Os corpos de prova foram obtidos a partir do seccionamento dos discos. O número de corpos de prova retirados variou de acordo com o diâmetro do disco, tendo como referencial a medula e a casca. Foram utilizados, em média, 25 (vinte e cinco) corpos de prova por árvore, para a realização das análises. As dimensões dos corpos de prova obedeceram as diretrizes estabelecidas pela NBR 7190/97 (ABNT, 1997), com dimensões próximas a 2,0 x 2,0 x 4,0 cm nas direções tangencial, radial e axial.