7 Expansões e dissensos: produções coletivas no cinema brasileiro contemporâneo Eduardo Paschoal de Sousa (ECA-USP) Thiago Siqueira Venanzoni (ECA-USP) um conjunto de obras audiovisuais contemporâneas brasileiras que parecem buscar a expansão dos horizontes da produção e da recepção fílmica, a partir de uma perspectiva coletiva tanto em termos de produção, quanto de recepção. São flmes rodados por produtoras que estão localizadas fora dos circuitos tradicionais do cinema nacional, mas que também tematizam em sua narrativa perspectivas políticas e sociais, seja pela representação direta do político, seja pela construção dessa dimensão nas intimidades. Essas obras, em geral, parecem almejar uma ampliação das possibilidades da recepção e das construções dos sujeitos, tanto daqueles que por elas enunciados, quanto dos espectadores. Este artigo busca discutir, em um primeiro momento, qual a concepção de “coletivo” presente nessas obras, sua relação com os modos de representação e de reconhecimento, a origem e as intenções pressupostas em sua criação e autoria. Em um segundo momento, procura refetir sobre como essa enunciação coletiva se faz presente nas obras e sua dimensão política, com a análise de trechos e sequências de dois flmes brasileiros contemporâneos: Branco sai, preto fca (Adirley Queirós, 2015) e Ela volta na quinta (André Novais Oliveira, 2016). Por fm, intenciona analisar como esses longas reconstroem o espaço público nas obras, mas também fora delas, na partilha de um sensível que começa no realizador, mas se estende até o espectador. De um coletivo ao outro Ao colher percepções sobre a produção de formas culturais nos mais variados suportes, é possível reconhecer, nos dias correntes, a demanda pela participação mais horizontalizada, e mais diversa, dos sujeitos envolvidos nesses processos. Dizemos, assim, que há uma variabilidade de coletivos e grupos que se colocam discursivamente como passíveis de operar uma certa construção de sociabilidades que apresente algo notável