BAGNO, Marcos. A língua de Eulália: novela sociolinguística , São Paulo: Contexto, 1997. 251 páginas. Isabela Boaventura Pimenta Gomide UFMS- Universidade Federal de Mato Grosso do Sul Marcos Bagno, professor, filólogo, escritor e linguista escreveu, em 1997, o livro “A língua de Eulália: novela sociolinguística” cujo enfoque é a variação da “língua portuguesa”. Escrita de forma bastante clara, a novela de Bagno, traz em emaranhados característicos do gênero literário escolhido, uma conceituação teórica necessária para se compreender que as línguas variam, quais são suas variantes e a necessidade de estuda-las. “A língua de Eulália” tem como enredo uma viagem de férias de três acadêmicas à Atibaia, para passarem as férias na casa da tia de uma delas, Irene, dona da casa, professora universitária aposentada, renomada linguista. O nome da novela vem oriunda da personagem Eulália, senhora humilde que aprendeu a ler e a escrever depois de adulta e amiga de longa data da dona casa, tem características de um nível de instrução inferior das demais personagens femininas. Devido a estas características Eulália tem por língua uma variante da norma-padrão exigida pelas acadêmicas, utilizando termos como “os probrema”, “os fósfro”, “môio ingrês”. Embora as hóspedes cursem Letras (Vera), Psicologia (Sílvia) e Pedagogia (Emília) e trabalhem como professoras na educação primária funções nas quais se espera uma boa parcela de conhecimento acerca da sociedade e trabalhem busque através dela a desconstrução de preconceitos, inclusive o linguísticos carregam a interessante crítica de Bagno sobre o que o modo de construção de conhecimento nas universidades. Ao Emília desfazer dos conhecimentos de Eulália dizendo “- Mas ela fala tudo errado. Isso pra mim estraga qualquer sabedoria.” 1 Tal afirmação é comprovada. Vera, Sílvia e Emília e elas tiram sarro do modo como Eulália se comunica. A professora universitária ao perceber o preconceito linguístico propõe uma reflexão sobre a língua portuguesa. Na noite do mesmo dia elas discutem sobre o errado e o diferente, sobre o eu e outro dentro do estudo da língua. Elas gostam tanto do “bate-papo” e de compreender como a língua representa uma vertente da sociedade que sugerem ter “aulas” sobre o assunto durante o tempo que estiverem lá. 1 BAGNO, Marcos. “A língua de Eulália: novela sociolinguísca, editora contexto, 1997. Página 13.